Prévia da inflação: IPCA-15 sobe a 0,89% em abril, pressionado por alimentos e combustíveis

Índice atinge maior nível para o mês em quatro anos e eleva alerta antes de decisão sobre juros

A prévia da inflação oficial do país ganhou força em abril e acendeu um novo sinal de alerta para a economia brasileira. O IPCA-15, indicador divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,89% no mês, após marcar 0,44% em março.

O resultado, apresentado nesta terça-feira (28), representa a maior variação para meses de abril desde 2022 e foi impulsionado principalmente pelo encarecimento de alimentos e combustíveis, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas.

Pressão de alimentos e combustíveis

A aceleração da inflação reflete o impacto direto da alta nos preços de itens essenciais. O aumento dos combustíveis, influenciado pela valorização do petróleo no mercado internacional, contribuiu para elevar custos logísticos, afetando também o preço dos alimentos.

O cenário foi agravado pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que pressionou as cotações de energia e insumos agrícolas, como fertilizantes.

Apesar da alta, o índice ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava para 0,99%, segundo levantamento da Bloomberg. As estimativas variavam entre 0,7% e 1,11%.

Acumulado se aproxima do teto da meta

Com o resultado de abril, o IPCA-15 acumula inflação de 4,37% em 12 meses, acima dos 3,9% registrados até março. O patamar se aproxima do teto da meta perseguida pelo Banco Central do Brasil, que é de 4,5%.

A meta central de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O IPCA-15 serve como uma prévia do IPCA, índice oficial utilizado como referência para a política monetária. A versão completa do indicador de abril será divulgada em 12 de maio.

Decisão de juros no radar

A divulgação do dado ocorre simultaneamente à reunião do Comitê de Política Monetária, responsável por definir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

Analistas projetam um corte moderado de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14,5%. A Selic é o principal instrumento utilizado para conter a inflação, ao influenciar o crédito e o consumo.

O ciclo de redução dos juros foi iniciado em março, após sinais de desaceleração dos preços. No entanto, o cenário recente de alta nas commodities trouxe novas incertezas.

Projeções do mercado sobem

A piora das expectativas inflacionárias também já aparece nas projeções do mercado financeiro. De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA de 2026 subiu para 4,86%, acima do teto da meta.

Quatro semanas antes, a previsão era de 4,31%, indicando uma revisão significativa diante do novo cenário internacional.

Diferença entre IPCA-15 e IPCA

O IPCA-15 difere do índice cheio principalmente pelo período de coleta. Enquanto o indicador divulgado nesta terça considera preços entre 18 de março e 15 de abril, o IPCA abrange todo o mês de referência.

Essa diferença faz com que o IPCA-15 funcione como um termômetro antecipado da inflação, influenciando expectativas e decisões econômicas.

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