O sacerdote católico Frei Gilson, de 39 anos, se tornou um dos nomes mais populares da internet religiosa no Brasil, reunindo milhões de seguidores em plataformas digitais e grandes audiências em transmissões de orações e missas. Integrante dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, ele ganhou notoriedade nacional ao mobilizar fiéis em lives durante a madrugada, especialmente na quaresma, além de atuar também como cantor religioso. Apesar da forte base de apoio, sua projeção vem acompanhada de frequentes controvérsias.
Nos últimos anos, Frei Gilson passou a ser alvo de críticas por declarações sobre temas sensíveis, como o papel da mulher, relações homoafetivas, aborto, racismo e política. A repercussão mais recente ocorreu após falas em que defende a liderança masculina no lar e associa o empoderamento feminino a uma “ideologia”. Em outros momentos, o religioso classificou debates sobre racismo como parte de uma “geração do mimimi” e fez críticas a comportamentos que, segundo ele, contrariam a doutrina católica.
“É claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem ser o chefe. Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar. O homem foi dado a ele a liderança. Mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, desejo de poder. Repito a palavra, empoderamento. Essa palavra é do mundo atual”, diz.
Contra aborto, comunismo e ‘mimimi’
O frei também já se posicionou de forma contundente contra o aborto, o uso de anticoncepcionais e relações entre pessoas do mesmo sexo, além de ter participado de orações com conotação política, como pedidos para que o Brasil fosse “livre do comunismo”. Essas manifestações ampliaram o alcance de suas falas para além do campo religioso, intensificando o debate sobre os limites entre fé, costumes e posicionamento público.
“Estamos numa geração de cristãos ‘mimimi’, estamos numa geração de cristãos que estão se adaptando aos pensamentos do mundo. Você é católico, sim ou não? Então, você não escuta televisão, você não escuta mídia, você não escuta internet, você só escuta o que a palavra de Deus te fala, e o que o catecismo da Igreja Católica te fala. A tua fonte é essa. Então, se a tua igreja fala que não pode tirar uma vida do ventre de uma mãe, não pode, pronto, acabou. Quem falou isso foi tua igreja”, afirmou Frei Gilson.
Outra declaração recente ganhou tração pelo posicionamento, prontamente replicado por internautas. “Pretinha aqui, Pretinha, a gente tem a nossa querida Pretinha aqui, todo mundo chama ela de Pretinha. É o nome que a gente gosta de chamar, carinhosamente, e aí… é preconceito. É a geração do mimimi, é a geração do dodói, talvez por causa disso. Porque os pais estão fazendo seus filhos serem dodóis”, declarou.
Internautas rebatem declarações
As declarações de Frei Gilson provocaram uma onda de reações de figuras públicas e internautas, que criticaram o teor das falas e o impacto delas no debate social. A senadora Soraya Thronicke classificou o religioso como “falso profeta” e acusou suas declarações de reforçarem visões misóginas, afirmando que líderes religiosos não deveriam usar a fé para sustentar ideias que, segundo ela, prejudicam avanços sociais, especialmente em relação às mulheres.
A jornalista Rachel Sheherazade também se manifestou nas redes sociais, dizendo que Jesus pregava valores como misericórdia, solidariedade e respeito, e não o que chamou de “moralismo”. Em sua publicação, ela utilizou hashtags como “mais amor” e “menos misoginia”, em crítica indireta ao conteúdo das falas do frei.
Entre internautas, as reações seguiram a mesma linha. Usuários nas redes classificaram os discursos como “anacrônicos” e “prejudiciais”, apontando que a ideia de submissão feminina reforça desigualdades históricas. Outros criticaram declarações sobre racismo, dizendo que elas banalizam o problema, e questionaram a mistura entre religião e posicionamento político. Também houve quem apontasse que as falas podem incentivar preconceitos e desinformação.





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