Alerj homenageará Frei Gilson, alvo de polêmica por falas sobre as mulheres

O deputado Marcelo Dino propôs a entrega de Moção de Aplausos ao sacerdote, que viralizou nas redes sociais e gerou debate político.

Sacerdote que se tornou figura central do embate mais recente entre bolsonaristas e a esquerda, Gilson da Silva Pupo Azevedo, o Frei Gilson, de 38 anos, poderá ser homenageado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) por intermédio do deputado estadual Marcelo Dino (União Brasil). 

Esta semana, o parlamentar protocolou na Casa uma Moção de Aplausos em reconhecimento ao trabalho do evangelizador. A ideia de Dino é viajar até São Paulo, onde acontecem os sermões, para realizar a entrega oficial ao frei. 

O deputado enfatiza, em especial, a relevância do religioso no fortalecimento da fé cristã e na mobilização de fiéis para a transmissão dos valores de Deus.

“Em um período de tantos desafios morais e espirituais, Frei Gilson tem se mostrado um verdadeiro guardião da fé, promovendo valores que sustentam nossa sociedade e resistindo bravamente a ataques covardes”, destacou.

Viralizando nas redes

Frei Gilson tem viralizado nas redes sociais por meio de lives que celebram a chegada da Quaresma e reúnem mais de um milhão de espectadores às 4h da manhã. No último sábado, porém, Dia Internacional da Mulher, ele “furou a bolha” católica e virou personagem de briga política ao criticar o empoderamento feminino e defender que as mulheres devem atuar de forma auxiliar aos homens.

“Essa é uma fraqueza da mulher: ela sempre quer ter mais. ‘Eu não me contento só em ser… em ter qualidades normais de uma mulher. Eu quero mais’. Isso é ideologia dos mundos atuais. Uma mulher que quer mais… vou até usar a palavra que vocês já escutaram muito: empoderamento”, disse em uma oração transmitida pelas redes sociais. 

Pouco depois, complementou:

“O homem, foi dado a ele a liderança, mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, é desejo de poder. Repito a palavra: empoderamento. Portanto, eu já começo a falar: a guerra dos sexos é ideologia pura, é diabólica. Para curar a solidão do homem, Deus fez você. Ela nasceu para auxiliar o homem.”

Para Dino, contudo, a Moção é motivada pelo impacto positivo do sacerdote na vida de milhões de brasileiros. Suas transmissões, diz ele, demonstram a força de sua pregação e sua capacidade de aproximar as pessoas de Deus.

“Fazemos questão de levar pessoalmente essa homenagem como uma demonstração do apoio e do carinho que milhões de brasileiros têm por seu trabalho. Os ataques da esquerda não vão calar a fé do nosso povo”, afirmou.

Quem é Frei Gilson

Cantor e sacerdote membro da congregação Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, Frei Gilson acumula 1,5 milhão de ouvintes mensais na plataforma de streaming de áudio Spotify, além de comandar o ministério Som do Monte. Tem ainda mais de sete milhões de seguidores no Instagram e outros 1,4 milhão em um canal de WhatsApp.

Depois do episódio, a reação nas redes sociais foi intensa. Militantes de esquerda criticaram Frei Gilson alegando que ele seria ligado a uma produtora conhecida pelo conteúdo conservador e de que fosse vinculado ao bolsonarismo. A especulação ganhou corpo por conta da participação dele no podcast Conversa Paralela, em outubro do ano passado.

Do outro lado, ele foi defendido por alguns dos principais nomes da direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) chegou a propor um projeto de lei que criminaliza ataques religiosos em redes sociais.

Declarações polêmicas

A partir daí, internautas começaram a resgatar outras imagens e declarações feitas pelo sacerdote em suas lives, abordando temas como o enfrentamento do comunismo no Brasil e a discussão sobre racismo como um “mimimi”.

Numa delas, Gilson faz preces ao lado de outro frei. Juntos, eles pedem pelo “livramento do flagelo do comunismo”. Outro registro mostra o líder religioso comentando sobre o uso do termo “pretinha”. Ele afirma que usa a expressão como um apelido carinhoso e diz que, caso sua atitude despertasse acusações de racismo, seria por conta da “geração mimimi”.

“A gente tem a nossa querida pretinha aqui. Pretinha, todo mundo chama ela de pretinha. É o nome que a gente gosta de chamar carinhosamente, e aí é ‘preconceito’. É a geração do “mimimi”, do dodói. Talvez seja por causa disso que os pais estão fazendo os seus filhos serem dodóis”, argumentou. 

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