Milei fecha Casa Rosada a jornalistas após denúncia de espionagem

Medida atinge cerca de 50 profissionais e é classificada como preventiva: Governo cita segurança nacional para justificar bloqueio

O governo do presidente Javier Milei proibiu a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, sede do Executivo argentino, em uma decisão que gerou reação imediata entre profissionais da imprensa. A medida foi adotada em meio a uma investigação sobre suposta “espionagem ilegal”.

A decisão atingiu cerca de 50 jornalistas que costumam atuar no local. Segundo o secretário de Comunicação e Imprensa, Javier Lanari, a ação incluiu a remoção das impressões digitais dos profissionais do sistema de acesso ao prédio.

Em declaração pública, ele afirmou que a medida foi adotada como forma de prevenção. “O único objetivo é garantir a segurança nacional”, disse.

A identificação por biometria é o principal método utilizado para autorizar a entrada de jornalistas na sede do governo argentino.

Investigação em andamento

O governo não detalhou oficialmente o conteúdo da investigação. Informações divulgadas por veículos locais indicam que o caso envolve duas frentes distintas.

Uma delas apura a atuação de uma suposta rede de espionagem com origem russa, que teria promovido uma campanha midiática contra o governo em 2024. A outra envolve uma denúncia criminal contra dois jornalistas, acusados de realizar filmagens em áreas não autorizadas do palácio presidencial.

Sem acesso à sala de imprensa

Profissionais relataram que o acesso à sala de imprensa foi totalmente interrompido. “Todos ficaram do lado de fora da sala de imprensa. Me disseram que é temporário”, afirmou o jornalista Lautaro Maislin.

A restrição foi aplicada sem aviso prévio, segundo os próprios jornalistas.

Reação da imprensa

Em nota conjunta, os profissionais credenciados classificaram a decisão como “discricionária e sem aviso prévio” e afirmaram que a medida representa “um ataque explícito à liberdade de imprensa, ao exercício da profissão e ao direito de todos os cidadãos ao acesso à informação”.

O grupo também destacou que não há precedentes recentes para uma restrição desse tipo, mencionando que nem mesmo durante o período da ditadura militar argentina houve bloqueio semelhante.

A relação entre o governo de Javier Milei e a imprensa tem sido marcada por episódios de tensão desde o início do mandato, em dezembro de 2023. O presidente costuma fazer críticas públicas a jornalistas, frequentemente utilizando termos duros em suas manifestações.

A medida adotada agora ocorre nesse contexto e amplia o debate sobre o acesso da imprensa a informações oficiais no país.

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