Piloto da Air India testa positivo para maconha após voo com 24 feridos

Exame confirmou uso de cannabis pelo comandante após Boeing 787 perder cerca de 90 metros de altitude e deixar ao menos 24 feridos

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Um exame toxicológico colocou o comandante de um voo da Air India no centro da investigação sobre um incidente que deixou pelo menos 24 pessoas feridas. O piloto testou positivo para uso de maconha depois que o Boeing 787 Dreamliner que fazia a rota entre Phuket, na Tailândia, e Nova Déli, na Índia, perdeu repentinamente cerca de 90 metros de altitude.

O episódio ocorreu em 4 de agosto, durante o voo de cruzeiro. Apesar da queda brusca e dos feridos, a aeronave conseguiu prosseguir e pousou em segurança.

Segundo a agência Reuters, o Ministério da Aviação Civil da Índia informou que os pilotos foram submetidos a exames toxicológicos após o ocorrido. O primeiro teste do comandante apresentou um resultado que precisava de confirmação. Um segundo exame confirmou o uso de cannabis.

O resultado passou a integrar uma investigação mais ampla, que também analisa a atuação da tripulação, registros de manutenção e possíveis falhas em sistemas da aeronave. Até o momento, não há conclusão de que o uso da substância tenha sido a causa da perda de altitude.

Relatos sobre o comandante

Além do exame toxicológico, investigadores analisam denúncias apresentadas por integrantes da tripulação de cabine à Air India.

De acordo com esses relatos, o comandante não estaria “em pleno controle de si” durante o voo. As autoridades tentam esclarecer as circunstâncias do comportamento relatado e se houve alguma relação com o incidente.

Um relatório interno de segurança da companhia, citado pela emissora indiana NDTV, também descreveu o que teria ocorrido na cabine de comando pouco antes da perda de altitude.

Segundo o documento, o comandante estava de pé atrás do assento do copiloto e discutia o funcionamento do sistema de ar-condicionado quando um alerta foi acionado.

Na sequência, o piloto automático teria sido desativado e o nariz da aeronave se elevado, criando uma situação que exigiu reação rápida na cabine.

Queda de cerca de 90 metros

O copiloto estava nos controles naquele momento e reagiu a um alerta de estol baixando o nariz do Boeing. A manobra provocou uma forte sensação de ausência de gravidade.

Objetos soltos foram lançados para cima dentro da cabine. Segundo o relatório, os próprios pilotos também chegaram a ser projetados para cima durante a movimentação brusca.

O comandante conseguiu retornar ao assento enquanto a aeronave ainda perdia altitude e assumiu os controles. Ele aumentou a potência dos motores para estabilizar o avião.

Quando a situação foi controlada, o Boeing já havia perdido aproximadamente 90 metros de altitude. Pelo menos 24 pessoas ficaram feridas durante o episódio.

Possíveis falhas técnicas

A investigação, porém, não está concentrada apenas no comportamento dos pilotos. Registros de manutenção também levantaram dúvidas sobre as condições técnicas da aeronave.

Os documentos indicaram alertas de baixa pressão nos sistemas hidráulicos, além de sinais de desconexão do piloto automático e problemas nos controles relacionados à inclinação do avião.

Esses elementos estão sendo analisados para determinar se algum problema técnico contribuiu para a sequência de acontecimentos que levou à perda repentina de altitude.

Após o incidente, a Air India afirmou que o voo havia enfrentado um “breve episódio de turbulência durante o cruzeiro”, provocando uma mudança momentânea de altitude.

Investigação busca causa do incidente

O Escritório de Investigação de Acidentes Aeronáuticos está reunindo informações para tentar reconstruir o episódio.

Segundo o Ministério da Aviação Civil da Índia, estão sendo analisadas evidências técnicas, operacionais, médicas e relacionadas ao fator humano.

O resultado positivo para cannabis tornou-se um dos principais elementos da apuração, mas não encerra a discussão sobre o que provocou a perda de altitude. Os investigadores ainda precisam estabelecer se houve relação entre o resultado toxicológico e o incidente e qual foi o peso de eventuais falhas técnicas.

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