A morte da escritora e militante feminista Amelinha Teles, aos 81 anos, nesta terça-feira (15), repercutiu no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A pedido da deputada Renata Souza (Psol), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a Casa fez um minuto de silêncio em homenagem à ativista, que foi presa e torturada durante a ditadura militar.
Ao lembrar a trajetória de Amelinha, Renata destacou sua atuação na defesa dos direitos das mulheres e na denúncia das violações cometidas durante o regime militar. A parlamentar também associou o legado da escritora aos desafios enfrentados atualmente pelas mulheres e citou a situação do Rio de Janeiro em relação aos casos de feminicídio.
Da resistência à defesa das mulheres
Maria Amélia de Almeida Teles nasceu em Contagem, Minas Gerais, e militou no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma das vozes ligadas à denúncia da repressão política e, posteriormente, ampliou sua atuação na defesa dos direitos humanos e das mulheres.
Em 1972, Amelinha foi presa e torturada no DOI-Codi de São Paulo pelo então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seu marido, César Augusto Teles, e o militante Carlos Nicolau Danielli também foram levados ao órgão de repressão.
Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli. Seus dois filhos, então com 4 e 5 anos, também foram levados ao local e obrigados a presenciar as torturas sofridas pelos pais.
Atuação pela memória da ditadura
Depois daquele período, Amelinha integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e manteve atuação em movimentos de defesa dos direitos das mulheres. Também registrou parte de suas experiências e reflexões em livros.
Entre suas obras estão “Contos da Cela Três”, que reúne memórias escritas em 1973, quando estava presa, “Breve História do Feminismo no Brasil” e “O Que São os Direitos Humanos das Mulheres?”.
Amelinha também era diretora da União de Mulheres de São Paulo. A morte da escritora foi divulgada por amigos nas redes sociais nesta terça-feira.
Despedida será em São Paulo
O velório está marcado para esta quarta-feira (16), das 11h às 16h, na Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Rua Sena Madureira, em São Paulo. Segundo a União de Mulheres de São Paulo, após a cerimônia, o corpo seguirá para o Cemitério da Vila Formosa, onde será realizado o sepultamento.
Na homenagem realizada na Alerj, Renata Souza também lembrou que o enfrentamento à violência contra a mulher permanece como um desafio no estado e afirmou que o Rio está entre os estados com maior incidência de feminicídios no país.







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