Estudo apresentado na Câmara do Rio aponta redução de até 85% no tempo de viagem com a Linha 3 do metrô

Projeção foi apresentada durante debate público nesta terça (15), que discutiu a implantação da ligação entre Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí

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Um estudo desenvolvido pela Coppe/UFRJ aponta que a futura Linha 3 do Metrô poderia reduzir em até 85% o tempo de algumas viagens entre o Rio e municípios do leste da Região Metropolitana. Os resultados do Projeto Prisma-RJ foram apresentados nesta terça-feira (15), durante debate público na Câmara do Rio sobre a implantação da ligação metroviária pela Baía de Guanabara.

Pelo desenho em estudo, a linha partiria do Centro do Rio, atravessaria a Baía de Guanabara e seguiria por Niterói e São Gonçalo até Itaboraí, somando 50 quilômetros e 29 estações. A proposta prevê trens com velocidade máxima de 80 km/h, intervalo mínimo de 90 segundos entre composições, bitola larga e sinalização CBTC, tecnologia que permite maior frequência e controle da operação.

O debate foi proposto pelo vereador Flávio Valle (PSD), presidente da Comissão de Turismo da Câmara, com apoio do presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD). Valle defendeu que os dados do estudo sirvam para pressionar a retomada da expansão do sistema metroviário do estado, hoje parado desde 2016, quando foi inaugurada a Linha 4, para os Jogos Olímpicos — desde então, a rede carioca segue com cerca de 57 quilômetros e 41 estações.

“O objetivo do debate é dar publicidade ao Projeto Prisma e subsidiar a tomada de decisão que pode garantir, de uma vez por todas, a expansão do metrô. Uma demanda latente do Rio de Janeiro que permanece paralisada pelo Governo do Estado”, afirmou o vereador.

Redução de até 85% no tempo de viagem

O ponto central apresentado pelos pesquisadores foi o impacto no tempo de deslocamento. Um dos exemplos citados no debate foi o trajeto entre Icaraí e o Aeroporto Santos Dumont: hoje feito em cerca de 75 minutos de carro, o percurso cairia para 11 minutos com a Linha 3 — uma redução de 85%. Outros trechos também teriam ganhos expressivos: entre o Centro de São Gonçalo e a UFF Gragoatá, o tempo cairia de 50 para 33 minutos; já entre Alcântara e Niterói, de 55 para 37 minutos.

O coordenador-geral do Prisma-RJ, professor Rômulo Orrico, destacou que a Linha 3 é discutida há mais de cinco décadas e segue sendo um dos corredores de maior demanda da região metropolitana. Segundo dados apresentados no debate, o eixo entre Niterói e São Gonçalo concentra hoje cerca de 340 mil viagens diárias, atendidas majoritariamente por ônibus e vans.

Estudo analisou traçados anteriores com novos critérios

A equipe do projeto, formada por quase 50 pesquisadores, analisou oito traçados já propostos ao longo dos anos para a Linha 3, comparando-os a partir de 12 variáveis territoriais agrupadas em três frentes: aspectos sociais, dinâmica urbana e questões ambientais e de segurança pública. Entre os critérios avaliados estão população, empregos, renda, matrículas escolares, áreas vulneráveis, bens tombados e capacidade de suporte ao adensamento urbano.

Uma das novidades da metodologia foi incorporar a segurança pública diretamente à modelagem: os pesquisadores simularam o impacto de áreas com histórico de conflitos armados sobre as alternativas de traçado, buscando identificar trechos em que a operação da linha poderia ficar exposta a esse tipo de instabilidade — tratado com o mesmo peso de fatores como relevo e preservação ambiental.

Segundo Orrico, o novo desenho ampliaria significativamente a cobertura do sistema em relação a propostas anteriores: a população atendida no entorno das estações passaria de 92 mil para 182 mil moradores, alta de 98%, enquanto o acesso a matrículas escolares mais que dobraria, de 23 mil para 48 mil. “Não adianta pensar num traçado que não leve todas as variáveis em consideração. Durante nossos estudos, percebemos que a pandemia teve um impacto significativo nos deslocamentos das pessoas. Se antes um morador saía todos os dias para trabalhar e usava o comércio ao redor desse ponto, atualmente mudou”, disse o professor durante o debate.

Levantamento mapeou mais de 300 mil endereços

Para embasar o estudo, a equipe do Prisma mapeou mais de 300 mil endereços geolocalizados — entre empregos, escolas e unidades de saúde —, além de mais de 12 mil obras residenciais e 14 mil imóveis à venda na área de influência do projeto. Uma pesquisa de origem e destino, baseada no rastreamento anonimizado de 19 milhões de sinais de telefonia celular, identificou o eixo Niterói-São Gonçalo como o de maior fluxo entre as regiões analisadas.

Os dados também mostram que o volume de deslocamentos nos horários de pico já soma 2,5 milhões de viagens, 68% acima do registrado em 2016 — período em que o número de motocicletas em circulação na região cresceu na mesma proporção. Moradores ouvidos durante a elaboração do estudo relataram como principais problemas os longos tempos de viagem e o peso do transporte no orçamento familiar.

Secretário de Transportes diz que projeto é tecnicamente viável

O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, participou do debate e defendeu a integração entre os diferentes modais de transporte da Região Metropolitana como ponto central para o sucesso do projeto. “Essa integração entre os modais estaduais, nos últimos anos, acabou não acontecendo a contento. O que vimos foi uma falta de integração, e isso propicia um planejamento inadequado da rede. Acho que a gente tem uma oportunidade enorme com esse projeto de fazer efetivamente essa integração”, afirmou.

Arraes também comentou os desafios técnicos da obra, citando a experiência da Prefeitura na construção do Túnel Marcelo Alencar: “Dou meu testemunho da condição de engenharia: é um desafio relevante, mas possível. E o que a prefeitura puder contribuir para viabilizar a Linha 3, faremos o necessário.”

O projeto também prevê integração com outros sistemas já existentes na região, como o VLT de Niterói e o MUVI de São Gonçalo, incluindo integração tarifária e operacional entre os modais.

O Prisma-RJ ainda passará por uma etapa de concepção definitiva da linha, que incluirá pesquisa de preferência declarada e estimativas de demanda e receita. Na sequência, o projeto deve avançar para a modelagem da licitação, com elaboração de minuta de edital e contrato, além do acompanhamento do processo licitatório.

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