AGU pede ao Supremo suspensão da Lei da Dosimetria e diz que norma é ‘retrocesso’

Órgão afirma que redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro enfraquece proteção ao Estado democrático de direito

A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu nesta terça-feira a suspensão e posterior derrubada da chamada Lei da Dosimetria pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o órgão, a norma reduz penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e pode beneficiar inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na manifestação enviada ao STF, a AGU sustenta que a legislação representa um “retrocesso” no combate a crimes contra o Estado democrático de direito. Para o órgão, a redução das punições pode incentivar novas ações contra a ordem institucional e comprometer a resposta penal prevista pela Constituição.

AGU critica tentativa de “esvaziar” punições

De acordo com a argumentação apresentada pela AGU, uma lei não pode “esvaziar” sanções aplicadas a crimes contra o Estado de direito “via manobras”. O órgão também argumenta que a flexibilização das penas enfraquece o caráter pedagógico das condenações relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

A ação reforça a posição do governo federal em defesa da manutenção das punições impostas aos envolvidos nos atos de vandalismo e tentativa de ruptura institucional registrados em 8 de janeiro de 2023. A avaliação da AGU é de que medidas que reduzam as penas podem abrir precedentes perigosos para futuras ameaças à democracia.

Debate sobre penas divide cenário político e jurídico

A Lei da Dosimetria vem sendo alvo de debates no meio político e jurídico por alterar critérios de aplicação das penas aos condenados pelos atos antidemocráticos. Críticos da proposta afirmam que a medida enfraquece o combate a ataques contra as instituições. Já defensores alegam que a legislação busca adequar as punições aos princípios da proporcionalidade.

O caso deverá ser analisado pelo STF, que decidirá se a norma permanece válida ou será suspensa de forma definitiva. A discussão ocorre em meio ao avanço de investigações e julgamentos relacionados aos ataques de 8 de janeiro e à responsabilização dos envolvidos.

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