O prefeito Eduardo Paes (PSD) interveio diretamente na polêmica do novo “mais valerá”, projeto da prefeitura aprovado em definitivo na quarta-feira (5), e garantiu que o Shopping Bangu não terá novas edificações em suas dependências. O prefeito assinou nesta sexta-feira (7) um novo artigo ao decreto de tombamento do centro comercial, proibindo explicitamente a construção de novas edificações dentro dos limites da área do shopping.
A medida anula, na prática, a articulação da própria legenda de Paes na Câmara. Na última quarta-feira (5), os vereadores haviam rejeitado uma emenda de Felipe Pires (PT) que buscava excluir o Shopping Bangu da proposta, liberando o empreendimento para construir edifícios residenciais ou comerciais na área do estacionamento.
Em vídeo nas redes sociais, compartilhado pelo agora sorridente Felipe Pires, o prefeito confirmou o decreto.
“A gente sabe que o Shopping Bangu tem tombamento. Estou assinando um novo artigo ao decreto de tombamento em que a gente estabelece explicitamente que fica proibida a construção de novas edificações dentro dos limites da área de entorno do bem tombado. Pode ter certeza que o nosso Shopping Bangu está protegido — aliás, Bangu está em nossos corações, sempre protegido”, disse o alcaide no vídeo.
Vitória para o PT
A decisão de Paes representa uma vitória para Pires, principal articulador contra as construções no local e autor da emenda rejeitada. O veto às construções cumpre um acordo que havia sido feito para manter o shopping fora do novo “mais valerá”.
Apesar do acordo pré-estabelecido, a emenda que buscava justamente barrar as edificações foi derrubada pela própria bancada do prefeito na Casa, sob articulação de Felipe Boró (PSD), que defendia a liberação para atrair investimentos para a região.
Pires comemorou a intervenção do prefeito, que garante a preservação da característica centenária do espaço, onde funcionava a antiga Fábrica de Tecidos Bangu. “Minha defesa enquanto morador do bairro é manter as características centenárias do Shopping Bangu”.
A decisão também faz sorrir o veterano Jorge Felippe (PP). O ex-presidente da Casa foi o único, além de Pires, que havia lamentado a permissão das novas edificações no shopping. O decano argumentou que a medida seria uma forma de violência contra um bem tombado, alterando totalmente as características originais da construção.
Projeto permite ampliação da área de uso dos centros comerciais
O novo “mais valerá” foi aprovado pela Câmara com a previsão de que empreendimentos como shoppings e supermercados possam ampliar a taxa de ocupação horizontal de seus terrenos em até 20% para a construção de novos edifícios comerciais ou residenciais. Para hospitais, a permissão é subir até dois pavimentos também mediante pagamento de contrapartida.
Segundo o Executivo, o objetivo é reduzir “desertos urbanos” em grandes terrenos comerciais, especialmente na Barra da Tijuca, onde a taxa de ocupação atual é de cerca de 30%. A proposta permite elevar essa taxa para 50%, viabilizando o uso misto, com lojas e serviços na base e unidades residenciais nos andares superiores.
Com o novo decreto, Paes encerra — ao menos por ora — o embate da própria base e o Bangu Shopping passa a ser o único empreendimento tombado com uma proibição explícita de novas construções em seu entorno.






Deixe um comentário