A vereadora Talita Galhardo (PSDB) voltou a causar polêmica nesta quinta-feira (26) ao falar sobre a população em situação de rua durante sessão na Câmara do Rio. A parlamentar usou a tribuna para se defender das críticas recebidas nas redes sociais — e também dentro da Casa — após publicar vídeos em que aparece discutindo com pessoas sem moradia.
Em um dos registros, divulgado no início do mês, Talita viralizou ao abordar um casal embaixo de uma ponte na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, batendo-boca e questionando a permanência deles no local. O episódio reacendeu críticas ao posicionamento da vereadora, que já havia gerado repercussão no fim de 2025 ao pedir que a população evitasse distribuir quentinhas nas ruas, sob o argumento de que a prática estimula a permanência nas calçadas e impacta na segurança pública.
No plenário, Talita reclamou das críticas e afirmou que seu mandato atua em diferentes frentes e atende pessoas de diversas classes sociais. “Tem gente que tá falando de mim, que trabalho pra rico. Acho que a pessoa tem que repensar um pouco. Eu atendo os problemas que as pessoas mais precisam e eu falo disso”, disse.
Ao entrar no tema da segurança, o clima esquentou. A vereadora afirmou que a presença de pessoas nas ruas influencia os índices de criminalidade e citou um dado sem indicar a fonte: “Noventa por cento dessas pessoas que estão em situação de rua andam com armas brancas. Muitas são do bem, mas andam com arma branca porque precisam se defender”, declarou, sob fortes vaias das galerias.
Para sustentar a tese, mencionou a abordagem recente na Barra, dizendo que o homem teria a ameaçado e tem passagens pela polícia. “Ele já foi preso por tráfico, abuso, roubo e associação criminosa. Ofereci abrigo e emprego e ele não quis”, afirmou.
‘Vans do crime organizado’
O caldo entornou quando a parlamentar afirmou que haveria uma logística do crime organizado para explorar a mendicância infantil nas praias da cidade. Segundo ela, crianças em situação de vulnerabilidade seriam levadas às ruas de forma articulada para… contribuir financeiramente para o tráfico.
“Essas crianças são levadas pelo crime organizado com kimono e medalhas para pedir dinheiro na rua. São levadas de van do crime organizado e deixadas nas praias. Se falam que isso é mentira é porque não têm informação de rua”, disse, acrescentando que o dinheiro arrecadado retornaria às comunidades e ao tráfico de drogas.
O posicionamento provocou reação também entre os vereadores. Rick Azevedo (PSD), que já havia criticado a colega anteriormente e disse ter “vergonha de dividir o plenário” com ela, voltou a contestar as declarações, acompanhado por parlamentares da ala mais progressista.
Vice-presidente da Comissão de Assistência Social, Felipe Pires (PT) também foi crítico. “Algumas verdades precisam ser ditas. Se todas as pessoas que se encontram em situação de rua no Rio quisessem um abrigamento hoje não conseguiriam. Só temos 2,5 mil vagas para 9 mil pessoas, segundo o último Censo”, disse o vereador, que também falou sobre a dificuldade de ressocialização. “Tínhamos que estar discutindo aqui mais investimento na saúde mental da cidade, mais assistentes sociais e pessoas que possam fazer abordagens nas ruas de forma qualificada e humanizada. Ninguém está na rua porque quer”, continuou.






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