O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o governador Cláudio Castro (PL) trocaram farpas pelas redes sociais nesta quart-feira (11) após a operação da Polícia Civil que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), da base aliada do governo municipal na Câmara de Vereadores.
Em um vídeo publicado em suas redes, Paes fez duras críticas ao governador e questionou a condução da ação policial. O prefeito afirmou que existe risco de uso político das forças de segurança em meio ao cenário eleitoral no estado.
A reação veio depois de uma postagem do governador nas redes sociais em que Castro classificou Salvino como “o braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”. O governador também compartilhou no Story do seu Instagram um vídeo do vereador sendo preso e acusando-o de ser ligado ao CV.
Eduardo Paes afirmou que não tolera irregularidades em sua gestão, mas disse considerar “estranha” a operação ocorrer neste momento político. O prefeito afirmou que, caso a Justiça confirme qualquer ligação de Salvino com o crime, ele próprio será o primeiro a cobrar punição.
“Se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, vou ser o primeiro a exigir que a Justiça seja feita. Aqui não se passa a mão na cabeça de quem faz coisa errada”, declarou.
Apesar disso, Paes acusou o governo estadual de utilizar politicamente as forças de segurança.
“O que não dá para aceitar é o uso político das forças policiais comandadas pelo governador Cláudio Castro”, afirmou.
Paes também tentou se mostrar diferente de Castro na forma como reage ao envolvimento de aliados com possíveis irregularidades. “Eu e o governador Cláudio Castro somos muito diferentes. Eu não sou conivente com nenhum tipo de ilegalidade”, disse Paes.
“Desde o início do governo Cláudio Castro, vários de seus aliados, aliados da área de segurança pública foram presos por envolvimento com o crime organizado…..E diante de tudo isso, alguém aqui ouviu alguma palavra do governador Cláudio Castro? Governador é omisso e conivente com aliados”, disse o prefeito.
A operação da Polícia Civil investiga lavagem de dinheiro e apoio logístico ao Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, o vereador teria negociado com traficantes da comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste, autorização para fazer campanha eleitoral na região em troca da instalação de quiosques na comunidade.
De acordo com a fala do prefeito foi a própria Prefeitura do Rio que denunciou, em março do ano passado, uma tentativa de interferência do crime organizado na operação de quiosques na Gardênia Azul, informação que teria sido levada ao governo estadual e ao Ministério Público.
Castro acusa aliado de Paes de ligação com o CV
Na postagem que provocou o revide de Paes, Cláudio Castro, ao comentar a prisão do vereador, afirmou que Salvino atacava o governo estadual e as polícias e declarou que o parlamentar estaria ligado ao crime organizado.
“Esse é o mesmo vereador que vivia atacando nosso governo e as polícias. Hoje todos estão conhecendo seu real lado: trabalhava para bandido e não para o povo”, escreveu Castro na postagem.
Castro também lembrou que Salvino já foi secretário municipal da Juventude durante a gestão de Eduardo Paes e aproveitou para criticar a administração municipal.
“Da milícia ao Comando Vermelho, essas organizações criminosas vêm se infiltrando na Prefeitura do Rio de Janeiro há décadas”, afirmou o governador.
Troca de ataques entre Paes e Castro
A crise entre os dois políticos ocorre poucos dias depois de outro embate público. Na terça-feira (10), ao comentar uma operação da Polícia Federal que prendeu um ex-secretário estadual, Paes afirmou nas redes sociais que integrantes do governo estadual seriam “tchutchucas do Comando Vermelho”.
O prefeito também citou casos de aliados do governo estadual que foram investigados ou presos por suspeitas de ligação com o crime organizado.






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