‘Braço direito do Comando Vermelho dentro da prefeitura’: Castro critica vereador preso no Rio; vídeo

Governador afirma que organizações criminosas se infiltram no poder municipal há décadas

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, criticou duramente o vereador Salvino Oliveira (PSD-RJ), preso nesta quarta-feira (11) durante uma operação da Polícia Civil que investiga a atuação do Comando Vermelho em comunidades da capital fluminense.

Em publicação nas redes sociais, o governador reagiu à prisão do parlamentar e afirmou que as investigações revelam que ele mantinha relação com integrantes da facção criminosa.

Críticas do governador nas redes sociais

No X, antigo Twitter, Castro afirmou que o vereador costumava atacar o governo estadual e as forças de segurança, mas que as investigações estariam revelando outra atuação.

Castro também citou detalhes da investigação ao afirmar que o parlamentar teria buscado autorização de criminosos para fazer campanha eleitoral em área controlada pelo tráfico.

“A operação Contenção Red Legacy também revela que ele negociou com o traficante Doca para obter autorização e fazer campanha eleitoral em área dominada pela facção, em 2024. Esse tal de Salvino também atacou brutalmente a Polícia Militar durante uma operação na Cidade de Deus”, escreveu o governador.

Acusações de infiltração do crime na política

Na mesma publicação, Castro afirmou que organizações criminosas vêm tentando se infiltrar na administração pública da capital fluminense.

“Da milícia ao Comando Vermelho, essas organizações criminosas vêm se infiltrando na Prefeitura do Rio de Janeiro há décadas! É só ver o domínio territorial que alcançaram ao longo dos anos. É o que sempre digo: Não adianta, a verdade sempre prevalece!”, declarou.

A prisão de Salvino Oliveira ocorreu no âmbito da operação Contenção Red Legacy, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Investigação aponta campanha em área dominada pelo tráfico

Segundo a polícia, o vereador é suspeito de intermediar interesses do Comando Vermelho na região da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio. As investigações indicam que ele teria participado de negociações relacionadas à exploração e construção de quiosques controlados pela facção.

Em coletiva de imprensa, o delegado Felipe Curi informou que o inquérito começou há cerca de um ano e meio e ganhou força após a identificação de contatos do parlamentar com intermediários do tráfico.

“Ele solicitava apoio a uma pessoa que falava diretamente com a liderança da facção, que é o Doca, para ter acesso à comunidade e fazer campanha eleitoral. Não tem que pedir autorização de criminoso nenhum para entrar em lugar algum. O que mais me surpreende é que dias atrás estava batendo na polícia e no governo dizendo que era tudo envolvido com o Comando Vermelho. Hoje, temos uma operação que mostra que ele está envolvido. Seja quem for, a polícia vai combater”, afirmou o delegado.

Polícia aponta troca de favores

De acordo com o delegado Pedro Cassundé, assistente da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD), as investigações indicam uma relação de troca entre interesses políticos e o domínio territorial do tráfico.

“Alguém tem interesse em permanecer no local e alguém tem interesse em reunir capital político”, explicou.

As apurações também identificaram a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, um dos líderes históricos do Comando Vermelho.

Segundo a Polícia Civil, Márcia Gama, mulher do traficante, atuaria como intermediária em articulações da facção fora do sistema prisional, facilitando a circulação de informações e contatos entre integrantes da organização e agentes externos.

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