Justiça mantém prisão de vereador Salvino Oliveira

Audiência de custódia validou prisão temporária; caso gera embate político entre governo estadual e aliados do prefeito Eduardo Paes

A Justiça do Rio manteve a prisão do vereador carioca Salvino Oliveira (PSD) durante audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (12). O juiz Otávio Hueb Festa entendeu que o mandado de prisão temporária estava dentro da validade e que não houve ilegalidade na ação da Polícia Civil.

Salvino foi preso na quarta-feira (11) durante uma operação conduzida pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado, ligada ao Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil.

Segundo o delegado Vinicius Miranda, responsável pela investigação, a prisão foi solicitada após a polícia reunir uma “série de indícios” que apontariam para uma suposta ligação do vereador com a facção criminosa Comando Vermelho.

De acordo com o delegado, os elementos reunidos até agora foram apresentados ao Judiciário, que autorizou a prisão temporária para permitir o avanço das investigações.

“Esses indícios foram apresentados à Justiça, que entendeu pela prisão temporária para que possamos buscar mais elementos e provas e compreender melhor qual seria a participação exata dele dentro da facção”, afirmou Miranda.

A Polícia Civil também informou que novas informações podem surgir a partir da análise de documentos e do telefone celular apreendido durante as buscas realizadas na operação.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Vereador nega acusações

O vereador negou as acusações após a prisão, mas a defesa ainda não detalhou a estratégia jurídica no caso.

A prisão virou uma guerra política no Rio entre os grupos políticos do governador Cláudio Castro (PL) e do prefeito Eduardo Paes (PSD). Nas redes sociais, o governador Cláudio Castro afirmou que Salvino seria o “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.

O prefeito rebateu o governador classificando a prisão como uma “injustiça” contra o vereador.

“Não vamos deixar que a injustiça cometida contra o vereador Salvino Oliveira fique impune. Ele será libertado e iremos até as últimas consequências para responsabilizar essa máfia que tomou conta do Palácio da Guanabara”, escreveu Paes, republicando o posicionamento do deputado federal Pedro Paulo (PSD).

Em meio à troca de acusações, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, divulgou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (12) para defender a legalidade da operação e negar qualquer interferência política nas investigações.

Após a decisão da Justiça a assessoria do governador Cláudio Castro divulgou uma nota contestantado as acusações do prefeito Eduardo Paes (veja nota abaixo). “O Governo do Estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário”, afirma um trecho do texto.

NOTA DO GOVERNO DO ESTADO:

Quem prende ou solta no Brasil é o Poder Judiciário.

A investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024. A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.

O Governo do Estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário.

A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança.

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