Vídeo: Chefe da Polícia Civil rebate críticas e defende investigação da prisão de vereador no Rio

Felipe Curi afirma que operação contra Salvino Oliveira passou por Ministério Público e Justiça e nega motivação política

A prisão do vereador carioca Salvino Oliveira abriu uma nova frente de conflito político no Rio e provocou, nesta quinta-feira (12), um embate público entre aliados do prefeito Eduardo Paes (PSD) e a cúpula da segurança pública do estado. Em meio às acusações de uso político das investigações, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, divulgou um vídeo nas redes sociais para defender a legalidade da operação e negar qualquer interferência política.

A reação do secretário ocorre depois de Paes e lideranças do PSD criticarem duramente a investigação que levou à prisão do parlamentar, eleito com base eleitoral na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio.

Polícia Civil nega motivação política

No vídeo publicado nas redes sociais, Felipe Curi afirmou que a investigação seguiu todos os procedimentos legais e foi analisada por diferentes órgãos do sistema de Justiça.

Segundo ele, o inquérito teve início em 15 de outubro de 2024, enquanto o pedido de prisão foi apresentado pela Polícia Civil em 1º de janeiro de 2026.

De acordo com o secretário, o Ministério Público deu parecer favorável à prisão em 21 de janeiro de 2026, e a Justiça autorizou os mandados em 27 de fevereiro, que foram efetivamente expedidos em 3 de março.

“Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: a Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Não é decisão de governo, é uma decisão da Justiça”, afirmou Curi.

O delegado também disse que a operação atingiu integrantes das próprias forças de segurança.

“Existe uma prova ainda mais clara de que essa investigação é séria e não tem qualquer lado político. Ela cortou na própria carne do Estado. Nessa operação, seis policiais militares foram presos, inclusive dois oficiais”, declarou.

Críticas de Paes e aliados

A manifestação do secretário ocorre após críticas públicas feitas por Eduardo Paes e por lideranças do PSD. Nas redes sociais, o prefeito classificou os responsáveis pela operação como “covardes” ao compartilhar um trecho de um programa da GloboNews, no qual o jornalista Octávio Guedes questiona o inquérito policial e afirma que a Polícia Civil teria usado como indício de crime o fato de o vereador ter nascido em uma favela.

Aliados de Paes afirmam que a investigação teria inconsistências e acusam setores da polícia de utilizarem o caso com finalidade eleitoral.

O presidente regional do PSD e deputado federal Pedro Paulo, junto com os deputados federais Laura Carneiro e Renan Ferreirinha, além do deputado estadual Luiz Paulo da Rocha, solicitaram reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Para Pedro Paulo, o caso é grave.

“É inadmissível o uso político da polícia. Isto é grave e intolerável, coisa de mafioso”, afirmou o deputado.

Relação com o governo do estado se deteriora

A prisão do vereador também agravou a crise política entre o grupo de Eduardo Paes e o governo do estado, comandado por Cláudio Castro (PL).

Nos bastidores, aliados do prefeito afirmam que os laços políticos entre o grupo do PSD e o Palácio Guanabara estão praticamente rompidos, sem interlocução direta entre as duas partes.

O episódio ocorre em um momento sensível da política fluminense, já que o estado poderá ter eleição indireta para um governador-tampão, caso Castro deixe o cargo para disputar as eleições para o Senado.

As regras desse processo devem ser questionadas judicialmente pelo PSD, o que indica que o confronto político entre as duas forças tende a se intensificar nos próximos meses.

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