Vaticano se desculpa por declaração do Papa de que seminários ‘estão cheios de bichas’

A polêmica surge no momento em que a Igreja Católica tem se esforçado para se mostrar mais inclusiva e acolhedora

O Vaticano emitiu um pedido de desculpas nesta terça-feira (28), depois que o Papa Francisco utilizou um termo ofensivo para se referir a homens gays. De acordo com a agência italiana Ansa, durante uma reunião a portas fechadas em 20 de maio, o Pontífice pediu aos bispos italianos que não aceitassem seminaristas gays, afirmando que os meios religiosos estavam “cheios de bichas”.

“O Papa Francisco está ciente dos artigos recentemente publicados sobre uma conversa a portas fechadas com os bispos da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Como ele afirmou em várias ocasiões: ‘Na Igreja há lugar para todos, ninguém é inútil, ninguém é supérfluo. Do jeito que somos, todos nós.’ O Papa nunca teve a intenção de ofender ou expressar-se em termos homofóbicos, e ele pede desculpas àqueles que se sentiram ofendidos pelo uso de um termo relatado”, declarou o comunicado oficial.

Reunião polêmica

O encontro com os bispos italianos durou uma hora e meia e a fala do Papa foi confirmada por diversas fontes presentes. Segundo o jornal La Repubblica, o Papa teria dito que era necessário impor limites para evitar “o risco de alguém que é gay escolher o sacerdócio e acabar levando uma vida dupla”. A declaração sobre o “excesso de bichas” teria sido feita em seguida.

De acordo com o Corriere della Sera, “é claro que o Pontífice não tinha consciência de quão insultuosas eram suas palavras em italiano”. O Papa teria usado o termo “frociaggine”, altamente ofensivo no idioma. “Mais do que com vergonha, suas declarações foram recebidas com risos incrédulos, porque o erro era evidente”, relatou o jornal.

Segundo a agência Ansa, uma instrução do Dicastério para o Clero do Vaticano de 2005, durante o papado de Bento XVI, estabeleceu que “a Igreja, embora respeite as pessoas em questão, não pode admitir no Seminário e nas Ordens Sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, têm tendências homossexuais enraizadas ou apoiam a chamada cultura gay”. Em 2016, esta instrução foi reafirmada pelo Papa Francisco.

Bênçãos a casais do mesmo sexo

Em dezembro passado, o Vaticano autorizou a bênção para casais do mesmo sexo e casais “em situações irregulares” para a Igreja, afirmando que “as pessoas que procuram o amor e a misericórdia de Deus” não devem ser sujeitas a “uma análise moral exaustiva”. A medida alterou o entendimento sobre a bênção ao afirmar que os casais homoafetivos poderiam recebê-la, mas não modificou a doutrina do casamento, estabelecendo que a bênção deve ser dada fora dos cultos religiosos.

Existe “a possibilidade de bênçãos de casais em situações irregulares e de casais do mesmo sexo, cujo formato não deverá encontrar qualquer fixação ritual por parte das autoridades eclesiásticas para não causar confusão com a bênção do sacramento do matrimônio”, afirmou o documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, aprovado pelo Papa.

Contexto e repercussão

A polêmica declaração do Papa Francisco surge em um momento delicado para a Igreja Católica, que tem se esforçado para se mostrar mais inclusiva e acolhedora. As palavras do Papa, interpretadas como ofensivas, contrastam com seus esforços anteriores para acolher a comunidade LGBTQIA+.

Com informações de O Globo

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