Trump formaliza Conselho de Paz e faz cerimônia de assinatura nesta quinta em Davos

Iniciativa anunciada em 2025 gera desconforto entre líderes europeus, levanta dúvidas sobre relação com a ONU e reúne convites a chefes de Estado como Lula e o papa Leão XIV

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve formalizar nesta quinta-feira (22) a Carta Constitutiva do Conselho de Paz e conduzir a primeira reunião oficial do grupo. A cerimônia está prevista para ocorrer em Davos, na Suíça, durante um encontro com líderes políticos e econômicos internacionais.

O conselho foi anunciado em 2025, quando Trump revelou a intenção de criar um mecanismo internacional para atuar no encerramento da guerra na Faixa de Gaza. Posteriormente, porém, o presidente dos EUA deixou claro que a proposta iria além do conflito palestino e teria como objetivo abranger disputas armadas e crises políticas em diferentes regiões do mundo.

Desde então, a iniciativa vem sendo acompanhada com atenção e cautela por diplomatas e analistas, sobretudo após Trump afirmar que o grupo “poderia” substituir a Organização das Nações Unidas. A declaração ampliou críticas e preocupações de especialistas em relações internacionais, que veem riscos de sobreposição institucional e concentração excessiva de poder.

Críticas à estrutura e ao poder de decisão

Líderes europeus afirmaram estar desconfortáveis com pontos específicos da minuta da Carta Constitutiva, especialmente aqueles que parecem concentrar o poder decisório nas mãos do presidente dos Estados Unidos. Segundo esses dirigentes, o desenho institucional do conselho pode comprometer princípios multilaterais consolidados desde o pós-guerra.

Apesar das críticas, a ONU procurou adotar um tom cauteloso. Um porta-voz da organização afirmou que o secretário-geral, António Guterres, entende que os Estados-membro são livres para se associarem em diferentes fóruns e iniciativas internacionais, ressaltando que as Nações Unidas seguirão desempenhando normalmente suas funções.

De acordo com uma cópia da minuta da carta constitutiva obtida pela agência Reuters, o Conselho de Paz terá como missão promover a paz em escala global e trabalhar ativamente para a resolução de conflitos. O documento estabelece que os países integrantes terão mandatos de três anos, salvo nos casos em que optem por pagar US$ 1 bilhão.

Segundo apuração da correspondente da CNN Brasil Priscila Yazbek, um funcionário do governo dos Estados Unidos garantiu, sob condição de anonimato, que esse valor não seria uma taxa de entrada obrigatória, mas sim um mecanismo para assegurar um assento permanente no grupo. Ainda de acordo com essa fonte, a participação inicial no conselho não exigiria qualquer compensação financeira.

Presidência indefinida e regras internas

Outro ponto sensível do documento diz respeito à liderança do conselho. A minuta prevê que Trump atuará como presidente por tempo indefinido, com possibilidade de permanecer no cargo mesmo após o fim de um eventual segundo mandato na Casa Branca.

O texto estabelece que ele só poderá ser substituído em caso de “renúncia voluntária ou incapacidade, conforme determinado por voto unânime do Conselho Executivo”. Para críticos, a cláusula reforça a percepção de centralização de poder e fragiliza mecanismos de alternância na liderança.

Convites a líderes globais e adesões ao grupo

O governo dos Estados Unidos enviou convites a dezenas de países e lideranças internacionais para integrar o Conselho de Paz. Segundo uma fonte da Casa Branca ouvida pela CNN, cerca de 35 dos aproximadamente 50 países convidados já aceitaram participar da iniciativa.

Entre eles está o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula ainda avalia a proposta com cautela, mas Trump afirmou publicamente que gostaria que o brasileiro tivesse um “grande papel” dentro do grupo, sinalizando interesse em envolver lideranças do Sul Global.

O papa Leão XIV também foi convidado, conforme informou o cardeal Pietro Parolin. Segundo ele, no entanto, será necessário algum tempo para “refletir” sobre a participação do Vaticano, indicando uma postura prudente diante do formato e das atribuições do conselho.

Entre os países que já confirmaram adesão estão Egito, Arábia Saudita, Catar, Paraguai e Israel. Outros governos ainda não responderam formalmente, incluindo aliados tradicionais dos Estados Unidos, como Reino Unido e Japão.

Já entre as recusas, chama atenção a ausência da França. O governo francês justificou a decisão citando dúvidas sobre a compatibilidade do Conselho de Paz com a Carta das Nações Unidas, reforçando o debate sobre os limites e a legitimidade da nova iniciativa no cenário internacional.

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