Com críticas diretas à Organização das Nações Unidas (ONU) e a apresentação de um plano ambicioso para a reconstrução da Faixa de Gaza, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) o chamado Conselho da Paz. A cerimônia ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e reuniu líderes de diferentes regiões do mundo, embora sem a presença de grandes aliados ocidentais de Washington.
Criado pelo governo dos EUA com o objetivo inicial de supervisionar a paz na Faixa de Gaza e conduzir a reconstrução do território palestino após o cessar-fogo, o conselho é visto por parte da comunidade internacional como uma tentativa de esvaziar o papel da ONU na mediação de conflitos globais.
Durante o discurso de lançamento, Trump afirmou que o “Conselho de Paz pode se unir com a Organização das Nações Unidas” e disse que formalizaria, ainda nesta quinta-feira, a Carta Constitutiva do órgão, além de realizar a primeira reunião oficial do grupo.
Origem do conselho e ampliação do escopo
O Conselho da Paz foi anunciado originalmente em 2025, quando Trump revelou planos para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza. Com o passar do tempo, porém, o presidente deixou claro que a atuação do grupo não se limitaria ao território palestino e poderia abranger outros conflitos ao redor do mundo.
Em declarações anteriores, Trump chegou a sugerir que o conselho “poderia” substituir a ONU, o que ampliou as preocupações de especialistas e diplomatas sobre a concentração de poder e a criação de uma estrutura paralela ao sistema multilateral existente.
Em Davos, Trump voltou a reforçar o protagonismo que pretende dar ao novo órgão. Segundo ele, o conselho terá aval “para fazer tudo o que quisermos” não apenas em Gaza, mas também em outros cenários internacionais. Ao mesmo tempo, buscou suavizar o discurso ao afirmar que as ações ocorreriam em diálogo com organismos já existentes.
“Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, disse Trump, que será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto.
Críticas à ONU e tom político
Em seu pronunciamento, Trump classificou o lançamento do conselho como um “dia muito empolgante” e voltou a atacar a ONU, alvo recorrente de críticas de seu governo. Segundo ele, a organização internacional não teria cumprido o potencial que possuía.
“Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou Trump. Ainda assim, ressaltou que o novo conselho dialogará “com muitos outros, incluindo a ONU”.
O presidente dos EUA também destacou que o Conselho da Paz não se dedicará exclusivamente à Faixa de Gaza, embora o território palestino seja o ponto de partida da atuação. Segundo Trump, Gaza será “desmilitarizado e lindamente reconstruído”.
Líderes presentes e ausências
Cerca de 30 dos aproximadamente 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho estiveram presentes à cerimônia de lançamento. Entre eles, o presidente da Argentina, Javier Milei. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi convidado a integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu oficialmente ao convite.
Nenhum grande aliado ocidental dos Estados Unidos participou do evento, o que reforçou a percepção de cautela de países tradicionais em relação à iniciativa.
Durante a cerimônia, Trump assinou o documento que formaliza a criação do conselho. Outros líderes convidados e presentes no palco também aderiram formalmente. Entre eles estavam:
- O presidente da Argentina, Javier Milei
- O presidente do Paraguai, Santiago Peña
- O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev
- O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán
- O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto
- A presidente do Kosovo, Vjosa Osmani
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou e afirmou que o Conselho da Paz será “um conselho não só da paz, mas da ação”.
Projeto “Nova Gaza”
Durante o mesmo evento, o conselheiro de Trump e genro do presidente, Jared Kushner, apresentou o plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza. A proposta, batizada de “Nova Gaza”, prevê a construção de arranha-céus, polos turísticos e áreas de negócios ao longo da enseada do território palestino.
“É uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar”, disse Trump ao comentar o projeto.
Kushner exibiu um mapa que divide Gaza em zonas residenciais, áreas de turismo e negócios, regiões agrícolas e um setor portuário. O plano, no entanto, já desperta críticas de analistas e organizações internacionais, que questionam a viabilidade política, humanitária e jurídica de uma reconstrução conduzida nesses moldes e sob a liderança de um conselho com poderes amplos e concentrados.






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