‘Conselho de Paz’: veja lista de países que aceitaram participar do grupo criado por Trump para suplantar a ONU

Iniciativa criada para supervisionar cessar-fogo em Gaza reúne adesões de dezenas de países, provoca resistência no Brasil e já enfrenta recusas na Europa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou cerca de 50 países e lideranças internacionais para integrar o chamado Conselho de Paz, grupo criado por sua iniciativa com o objetivo inicial de supervisionar a situação na Faixa de Gaza após o cessar-fogo. Desde o anúncio, no entanto, Trump deixou claro que a atuação do conselho pode ir além do território palestino e se estender a outros conflitos ao redor do mundo.

A proposta tem mobilizado governos, provocado debates diplomáticos e exposto divergências entre aliados tradicionais dos Estados Unidos. Enquanto dezenas de países já aceitaram participar, outros avaliam com cautela ou recusaram abertamente o convite, alegando preocupações institucionais, jurídicas e políticas.

Entre os líderes convidados está o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista ainda não confirmou participação e, segundo interlocutores, analisa o convite com cautela. Trump, por sua vez, afirmou publicamente que gostaria que Lula tivesse um “grande papel” dentro do conselho.

Países que já aceitaram integrar o Conselho de Paz

Um alto funcionário da Casa Branca afirmou à agência Reuters, na quarta-feira (21), que cerca de 35 líderes mundiais já se comprometeram a participar do Conselho de Paz, de um total aproximado de 50 convites enviados. O governo dos EUA não divulgou oficialmente a lista completa de adesões, mas informações reunidas por CNN, CNN Brasil e Reuters indicam que já aceitaram participar:

  • Arábia Saudita
  • Argentina
  • Armênia
  • Azerbaijão
  • Bahrein
  • Belarus
  • Catar
  • Cazaquistão
  • Egito
  • Emirados Árabes Unidos
  • Hungria
  • Indonésia
  • Israel
  • Jordânia
  • Kosovo
  • Kuwait
  • Marrocos
  • Paraguai
  • Paquistão
  • Turquia
  • Uzbequistão
  • Vietnã

O grupo reúne países do Oriente Médio, Europa Oriental, Ásia e América do Sul, refletindo a tentativa da Casa Branca de dar ao conselho um perfil geograficamente diverso.

Convites pendentes e resistências diplomáticas

Outros países foram convidados, mas ainda não deram resposta formal, incluindo o Brasil. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o governo federal brasileiro resiste à proposta. De acordo com apuração do jornalista Caio Junqueira, a avaliação interna é de que, da forma como o conselho foi concebido, há uma concentração excessiva de poder nas mãos do presidente dos Estados Unidos.

O Canadá informou que concordou “em princípio” em participar, mas ressaltou que os detalhes da adesão ainda estão sendo discutidos. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que precisa de mais tempo para analisar o convite, apontando que a iniciativa pode violar a Constituição italiana.

Outros países que ainda não se manifestaram incluem Rússia, China, Polônia, Índia, Austrália e Irlanda. Trump chegou a declarar que o presidente russo Vladimir Putin teria aceitado o convite, mas o Kremlin informou que o líder russo ainda está analisando a proposta.

Aliados estratégicos dos Estados Unidos, como Reino Unido, Alemanha e Japão, também não anunciaram posição definitiva. No caso alemão, um porta-voz do governo informou que o chanceler Friedrich Merz não comparecerá à cerimônia de assinatura da carta do conselho, prevista para o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Europa, Ucrânia e o papel da União Europeia

A Ucrânia informou que seus diplomatas estão examinando o convite, mas o presidente Volodymyr Zelensky afirmou ser difícil imaginar-se participando de qualquer conselho que inclua a Rússia, após quatro anos de guerra entre os dois países.

Segundo fontes da Reuters, a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, também foi convidada a integrar o Conselho de Paz em nome da União Europeia, mas ainda não respondeu oficialmente.

No campo religioso e diplomático, o papa Leão XIV também recebeu convite. A informação foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática do Vaticano, que afirmou ser necessário “um pouco de tempo para reflexão” antes de uma resposta.

Países que recusaram o convite

Alguns governos já rejeitaram formalmente a iniciativa de Trump. Noruega, Suécia e Eslovênia recusaram o convite para integrar o Conselho de Paz.

A França também decidiu não participar, segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês. A recusa provocou reação do presidente dos EUA, que ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, elevando a tensão diplomática entre os dois países.

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