O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou secretamente a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar operações letais na Venezuela, de acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira (15) pelo The New York Times. A medida marca uma nova escalada na pressão americana sobre o governo de Nicolás Maduro e amplia a atuação de forças dos EUA na região do Caribe.
Segundo o jornal dos EUA, a autorização, conhecida no jargão de inteligência como “determinação presidencial”, permite que a CIA conduza ações independentes ou em coordenação com o Exército americano, inclusive dentro do território venezuelano. As operações podem envolver alvos ligados ao regime chavista, sob o argumento de combater o narcotráfico e o crime transnacional.
Escalada militar e retaliação de Caracas
A ofensiva ocorre no momento em que os EUA reforçam sua presença militar no Caribe, com cerca de 10 mil soldados estacionados em bases de Porto Rico e navios de guerra na região. Segundo fontes citadas pelo jornal, a Marinha americana conta atualmente com oito embarcações de superfície e um submarino próximos à costa venezuelana.
Em resposta, o governo de Nicolás Maduro anunciou novos exercícios militares em estados fronteiriços e nas principais áreas costeiras do país. As manobras envolvem cerca de 25 mil soldados e incluem a ativação da chamada Operação Catatumbo, na fronteira com a Colômbia.
Caracas também avalia decretar estado de emergência externa, medida que daria a Maduro poderes especiais e permitiria restringir direitos constitucionais sob alegação de ameaça estrangeira.
Pressão política e disputas diplomáticas
Desde agosto, Washington vem conduzindo operações navais sob o pretexto de combater o tráfico de drogas, acusando Maduro de chefiar redes de narcotráfico — acusações que o governo venezuelano nega. Ao mesmo tempo, os EUA oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões (cerca de R$ 273 milhões) por informações que levem à prisão do líder venezuelano.
Frustrado com a falta de avanços nas negociações diplomáticas, Trump encerrou neste mês os canais de diálogo com Caracas. O endurecimento da estratégia teria sido elaborado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em conjunto com o diretor da CIA, John Ratcliffe, que prometeu tornar a agência “mais agressiva” e “menos avessa a riscos”.
Silêncio oficial e incerteza sobre próximos passos
A Casa Branca e a CIA se recusaram a comentar o teor das autorizações. Ainda não há confirmação se a agência pretende executar operações concretas no curto prazo ou se o documento tem caráter preventivo.






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