EUA enviam ao Caribe grupo de ataque com maior porta-aviões do mundo

Movimentação militar amplia presença norte-americana na região e eleva pressão sobre Maduro

O governo dos Estados Unidos deslocou para o Caribe o grupo de ataque liderado pelo porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo, reforçando a presença militar americana em meio à crescente tensão com o regime de Nicolás Maduro, informa a Folha de S.Paulo. A medida é parte da estratégia de pressão da administração Trump contra o governo venezuelano e cartéis de drogas atuantes na América Latina.

Frota do grupo de ataque Gerald Ford

De acordo com o Pentágono, a força enviada à região é composta por:

  • Porta-aviões USS Gerald Ford
  • Destróieres USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill
  • Três esquadrões de caças F/A-18
  • Dois esquadrões de helicópteros de ataque MH-60
  • Aeronaves de monitoramento e suporte logístico

O Pentágono informou que o objetivo da operação é ampliar a capacidade de “detectar, monitorar e interromper atividades ilícitas que comprometem a segurança do território norte-americano e a estabilidade do Hemisfério Ocidental”.

Escalada militar e operações de inteligência

A imprensa americana classificou o envio do grupo de ataque como “uma escalada expressiva” e “grande expansão” da campanha militar contra a Venezuela. A Reuters relatou um “drástico aumento” no número de tropas e aeronaves americanas atuando na região.

A movimentação ocorre após o governo Trump designar, em agosto, cartéis sul-americanos como organizações terroristas e autorizar operações militares e de inteligência para conter o tráfico de drogas. Washington acusa Nicolás Maduro de liderar o Cartel de los Soles e elevou a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões.

Caracas reage e denuncia presença da CIA

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, declarou que agentes da CIA já estariam operando no país. “Sabemos que a CIA está presente na Venezuela. Podem enviar quantas unidades quiserem em operações encobertas. Qualquer tentativa vai fracassar”, afirmou.

Em discurso transmitido pela TV estatal, Maduro pediu calma e disse, em inglês: “No crazy war, please. Não à guerra louca. A Venezuela quer paz.” O governo venezuelano também iniciou a mobilização de tropas e reforço da defesa aérea.

Discurso beligerante em Washington

Donald Trump declarou nesta quinta-feira (23) que os Estados Unidos devem realizar “ações em terra” contra cartéis e disse que não pedirá autorização ao Congresso para isso. “Acho que vamos apenas matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país. Certo? Vamos matá-las”, afirmou o presidente.

O secretário de Guerra, Pete Hegseth, reforçou o tom agressivo ao afirmar que “os militares americanos irão caçar e eliminar todos os terroristas que traficam drogas para os Estados Unidos”, comparando os cartéis a grupos como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.

Possível invasão e risco de conflito

Reportagem do The New York Times revelou que as operações autorizadas pela CIA podem incluir “ações letais” contra alvos ligados ao chavismo. Segundo fontes citadas pela publicação, estruturas associadas ao tráfico também estariam entre os possíveis alvos, e parte do governo americano avaliaria uma intervenção militar direta com o objetivo de derrubar Maduro.

A ampliação da presença militar dos EUA no Caribe acendeu o alerta entre países vizinhos, que temem um conflito aberto. Organismos internacionais acompanham o caso e pedem que as partes busquem canais diplomáticos para evitar uma escalada armada na região.

Contexto e desdobramentos

Para Washington, a operação se justifica pelo combate ao crime transnacional e à entrada de drogas em seu território. Já Caracas vê as ações como violação de soberania e tentativa de desestabilização política.

O envio do grupo de ataque Gerald Ford sinaliza que a política externa americana sob Donald Trump deve manter o tom de confronto. A expectativa é que novas medidas militares e sanções sejam anunciadas nas próximas semanas, aumentando o isolamento do regime de Maduro e o risco de incidentes no Caribe.

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