O maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, entrou nesta terça-feira (11) na área de responsabilidade do Comando Sul dos Estados Unidos, que cobre a América Latina e o Caribe. A movimentação, divulgada pela Marinha americana e noticiada pelo g1, ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela.
Operação militar sigilosa
A localização exata do Gerald Ford não foi revelada por razões estratégicas. Desde que cruzou o Estreito de Gibraltar e entrou no Atlântico, o transponder do navio foi desligado, procedimento comum em missões de caráter militar. O grupo de ataque que acompanha o porta-aviões inclui três destróieres — USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill — e dezenas de aeronaves de combate, prontas para operações navais e aéreas.
Segundo nota oficial, “a chegada das forças marítimas ocorre após o Secretário de Guerra, Pete Hegseth, ter ordenado que o Grupo de Ataque de Porta-Aviões apoiasse a diretiva do Presidente para desmantelar Organizações Criminosas Transnacionais e combater o narcoterrorismo em defesa da Pátria”.
Projeção de poder americano
Batizado em homenagem ao ex-presidente Gerald Ford (1974–1977), o porta-aviões representa o ápice da tecnologia militar americana. O professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin afirmou ao g1 que o envio do Gerald Ford “é um sinal inequívoco de que os EUA estão dispostos a usar força militar muito além do que tem sido feito com ataques a barcos e lanchas no Caribe”.
A embarcação é o principal ativo da nova geração de porta-aviões da Marinha dos EUA, capaz de operar mais de 75 aeronaves simultaneamente, com reatores nucleares e sistemas de lançamento eletromagnético.
Pressão sobre o regime Maduro
A presença do Gerald Ford reforça o poder naval dos Estados Unidos na região, que já inclui navios de guerra, caças, helicópteros e aviões bombardeiros. A operação, determinada pelo governo de Donald Trump, tem como objetivo declarado combater o narcotráfico, mas é interpretada como um gesto político de intimidação à Venezuela.
Desde agosto, Trump classificou cartéis de drogas sul-americanos como organizações terroristas e autorizou ações militares contra eles. O governo americano acusa Maduro de liderar o chamado Cartel de Los Soles e dobrou a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões (cerca de R$ 269 milhões).
Venezuela em alerta máximo
O regime venezuelano respondeu com a mobilização de seu exército e de parte do arsenal militar de origem russa, segundo fontes ouvidas pela Reuters. As tropas teriam sido instruídas a se dispersar e se esconder em caso de ataque. “Não duraríamos duas horas em uma guerra convencional”, disse uma fonte próxima ao governo.






Deixe um comentário