Trump anuncia ‘quantidade tremenda de dinheiro’ para reconstrução de Gaza após cessar-fogo

Em discurso no Parlamento israelense, presidente dos EUA afirma que as nações ricas do Oriente Médio serão as responsáveis por restaurar o território devastado por Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13), durante discurso no Parlamento israelense (Knesset), que países árabes ricos se comprometeram a financiar a reconstrução da Faixa de Gaza. O pronunciamento ocorreu durante sua visita oficial a Israel, onde o líder dos EUA acompanha pessoalmente a implementação do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o grupo palestino Hamas.

“Quero agradecer às nações árabes e muçulmanas por seu compromisso em apoiar a reconstrução segura de Gaza e, além dela, muitos países árabes muito ricos que irão colocar uma quantidade tremenda de dinheiro para reconstruir”, declarou Trump, sob aplausos.

A presença do presidente dos EUA no Oriente Médio marca uma nova etapa no processo de paz, que já resultou na libertação de 20 reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos. Segundo Trump, a reconstrução do território é “um passo essencial” para romper o ciclo de violência que há décadas domina a região.

“Uma chance histórica para Gaza”

Durante o discurso, Trump afirmou que o momento representa uma oportunidade decisiva para os palestinos se libertarem da guerra e reconstruírem seu futuro. “A escolha pelos palestinos não poderia ser mais clara. Eles têm a chance agora de sair para sempre de um caminho de terror e violência, que foi muito extremo, de tirar as forças do mal, do ódio, que estavam entre eles”, disse.

Ele também ressaltou que o foco deve ser o desenvolvimento humano e econômico. “Eu acho que o foco das pessoas de Gaza deve ser restaurar a estabilidade, a segurança, a dignidade e o desenvolvimento econômico”, afirmou o presidente estadunidense, destacando que a prosperidade é a chave para uma paz duradoura.

O pronunciamento foi recebido com entusiasmo pelos parlamentares israelenses, mas também com ceticismo entre setores da oposição, que veem o plano com desconfiança e apontam desafios logísticos e políticos para sua execução.

Envolvimento árabe e próximos passos

Trump detalhou que o compromisso financeiro dos países árabes será discutido em uma reunião no Egito ainda nesta semana. O encontro contará com a presença de chefes de Estado e ministros de Relações Exteriores de várias nações do Oriente Médio.

“Reconstruir Gaza. Eu acho que isso vai acontecer e, quando acontecer, isso vai trazer dignidade”, declarou o presidente, reforçando que o engajamento das nações vizinhas é fundamental para consolidar o acordo.

De acordo com o plano delineado por Washington, o investimento internacional será destinado à reconstrução de infraestrutura básica — como hospitais, escolas, redes de energia e saneamento — e ao estímulo de programas de emprego e capacitação profissional para a população local.

O acordo de cessar-fogo e os desafios

A primeira fase do cessar-fogo, atualmente em andamento, prevê a libertação escalonada de reféns israelenses e prisioneiros palestinos. Etapas seguintes abordarão questões estruturais do processo de paz, como o desarmamento do Hamas, a reconstrução de Gaza e o papel da comunidade internacional na fiscalização dos compromissos firmados.

Trump afirmou que o sucesso da trégua depende da união entre poder político e poder econômico. “Percebi que os países precisavam dos poderes econômicos do mundo para fazer isso funcionar”, disse o presidente, citando conversas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Consequências da guerra

A ofensiva entre Israel e o Hamas, iniciada em outubro de 2023, deixou um rastro de destruição. O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza informou nesta segunda-feira que 67.869 pessoas morreram desde o início do conflito. O órgão também afirmou que ainda realiza buscas entre os escombros para localizar corpos de vítimas civis.

A escalada militar começou após um ataque do Hamas que matou cerca de 1,2 mil israelenses, levando Israel a lançar uma resposta de grande intensidade, que devastou boa parte do território palestino.

Com o cessar-fogo em vigor e o anúncio de ajuda internacional, o governo dos EUA tenta posicionar o acordo como um marco histórico na reconstrução de Gaza — e um teste de unidade para o futuro do Oriente Médio.

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