Trump recebe Netanyahu na Casa Branca em meio a negociações por cessar-fogo em Gaza

Encontro acontece enquanto os EUA pressionam por acordo que inclua libertação de reféns israelenses, mas plano enfrenta resistências

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir nesta segunda-feira (29) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. A visita ocorre em um momento de intensas negociações, em que Washington tenta viabilizar um cessar-fogo na Faixa de Gaza e a libertação de reféns israelenses.

Trump demonstrou otimismo nas redes sociais no domingo (28). “Temos uma chance real de GRANDEZA NO ORIENTE MÉDIO. TODOS ESTÃO A BORDO PARA ALGO ESPECIAL, PELA PRIMEIRA VEZ. VAMOS REALIZAR!!!”, escreveu o presidente. Segundo ele, autoridades árabes e israelenses deram retornos positivos à proposta dos EUA.

Divergências em torno do plano

Apesar do entusiasmo de Trump, Netanyahu reconheceu, em entrevista à Fox News, que o processo ainda está em andamento. “Estamos trabalhando nisso”, disse o premiê israelense.

De acordo com três autoridades de Israel, Netanyahu deve apresentar reservas e pressionar por alterações no esboço do plano. Ainda que boa parte do conteúdo tenha sido negociada com antecedência, pontos sensíveis seguem em aberto.

Um dos principais entraves é a referência ao futuro Estado palestino e o papel da Autoridade Palestina na administração após um cessar-fogo. “Netanyahu não aceitará todo o esboço tal como foi publicado inicialmente”, afirmou uma autoridade israelense. Outra fonte acrescentou que o líder israelense provavelmente tentará impor mais mudanças “antes que os EUA finalizassem a proposta e depois também”.

Coordenação prévia e reuniões paralelas

A maior parte do plano de 21 pontos foi discutida previamente com Netanyahu “em detalhes”, segundo autoridades israelenses. Na última quinta-feira (25), em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, o premiê se reuniu com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro do presidente, para tratar da proposta.

O esboço feito pelos EUA foi apresentado oficialmente a representantes de países árabes na ONU no dia 23 de setembro. A expectativa da Casa Branca é consolidar um acordo que possa contar com amplo apoio regional e garantir uma saída política para a crise em Gaza.

Posição do Hamas

O Hamas, por sua vez, afirmou que não recebeu nenhuma nova proposta de cessar-fogo. Em comunicado divulgado no domingo, o grupo declarou: “Reiteramos a disponibilidade para examinar quaisquer propostas que receba dos seus irmãos mediadores de uma forma positiva e responsável, ao mesmo tempo que defendemos os direitos nacionais do nosso povo”.

A posição do Hamas expõe a complexidade do processo, já que a participação do grupo é considerada essencial para qualquer acordo viável.

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