Trump ameaça iniciar ataques terrestres na Venezuela, diz Casa Branca

Presidente dos EUA afirma que operações por terra contra alvos ligados ao narcotráfico “vão começar a acontecer” e cita escalada militar no Caribe

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar a Venezuela com o início de operações militares por terra. Em pronunciamento no Salão Oval, na noite desta sexta-feira (12), o republicano afirmou que ações desse tipo “vão começar a acontecer”, ao justificar a medida como parte do combate ao narcotráfico internacional.

Segundo Trump, os ataques não teriam como alvo apenas o Estado venezuelano, mas grupos criminosos que, segundo ele, atuam no país. “Não se trata apenas de ataques terrestres contra a Venezuela. Trata-se de ataques terrestres contra pessoas horríveis que trazem drogas e matam nosso povo”, declarou o presidente, ao comparar o número de mortes associadas ao tráfico a cenários de guerra.

Escalada de declarações e pressão militar

Na quinta-feira (11), Trump já havia antecipado que o governo americano pretende intensificar ações contra narcotraficantes venezuelanos e indicou que operações em terra ocorreriam “muito em breve”. Na ocasião, afirmou ainda que a ofensiva envolve diferentes motivações e criticou a postura do governo de Caracas em relação aos Estados Unidos.

As novas declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre Washington e Caracas, agravadas após a apreensão, pelos EUA, de um grande navio petroleiro na costa venezuelana, na última quarta-feira (10). O governo da Venezuela reagiu com um comunicado duro, classificando a ação como “roubo flagrante” e “ato de pirataria internacional”.

Navios, tropas e acusações cruzadas

Desde agosto, os Estados Unidos enviaram uma flotilha de navios e aeronaves militares ao Caribe sob o argumento de reforçar o combate ao narcotráfico. O governo venezuelano, no entanto, afirma que a real intenção de Washington é desestabilizar o regime de Nicolás Maduro e se apropriar das reservas de petróleo do país.

Apesar do clima de confronto, Trump chegou a conversar recentemente por telefone com Maduro sobre a possibilidade de um encontro entre os dois líderes, segundo informações da Casa Branca.

Opções militares em análise

De acordo com autoridades americanas, o governo dos EUA elaborou diferentes cenários de ação militar na Venezuela, que vão desde ataques direcionados ao presidente Nicolás Maduro até a tomada de controle de campos de petróleo. Assessores afirmam que Trump já demonstrou reservas quanto a uma operação direta para derrubar o governo venezuelano, temendo um possível fracasso.

Ainda assim, desde setembro, forças americanas realizaram ao menos 22 ataques contra embarcações na região que, segundo Washington, estariam ligadas ao tráfico de drogas. Essas ações resultaram em mais de 80 mortes, de acordo com dados divulgados pelo próprio governo dos EUA.

Apreensão de petroleiro agrava crise

O navio apreendido nesta semana vinha sendo utilizado há anos pela Venezuela e pelo Irã para transportar petróleo, apesar das sanções internacionais impostas aos dois países. A informação foi confirmada pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, que divulgou um vídeo mostrando a interceptação da embarcação pela Guarda Costeira americana.

Até então, apesar da presença militar reforçada no Caribe, as operações dos EUA não haviam afetado diretamente o fluxo de navios petroleiros na região. A apreensão marca, portanto, um novo patamar na crise entre Washington e Caracas.

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