O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite desta quinta-feira (8/1) que o país passará a realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas no México. A declaração foi dada em entrevista à Fox News e marca mais um capítulo da escalada da política externa estadunidense na América Latina, intensificada desde o segundo semestre do ano passado.
“Nós eliminamos 97% das drogas que entram por água. E agora vamos começar a atacar por terra em relação aos cartéis. Os cartéis estão comandando o México. É muito, muito triste assistir e ver o que aconteceu com aquele país. Mas os cartéis mandam e estão matando 250, 300 mil pessoas no nosso país todos os anos. As drogas — é horrível. Devastaram famílias. Você perde um filho ou um pai. Quero dizer, pais também estão morrendo por causa das drogas”, disse Trump.
A fala do presidente republicano ocorre menos de uma semana depois da invasão dos Estados Unidos ao território venezuelano, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Resposta do México e defesa da soberania
Horas antes da entrevista de Trump, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o país mantém cooperação em temas de segurança com os Estados Unidos, mas deixou claro que não aceita qualquer violação de sua soberania.
“Não queremos lutar com os Estados Unidos”, disse a presidente, ao mencionar parcerias com o Comando Norte e com agências estadunidenses. Sheinbaum também ressaltou a importância da defesa do território mexicano, em meio às declarações do presidente dos EUA.
Ataque à Venezuela e captura de Maduro
No dia 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos invadiu o território venezuelano. A ação incluiu bombardeios e operações de forças especiais na capital Caracas e em outras regiões do país.
Durante a ofensiva, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos. Ambos estão detidos e respondem a diversas acusações sem provas nos tribunais dos EUA.
Segundo o governo venezuelano, cerca de 100 pessoas morreram durante a operação, incluindo civis, militares do país e integrantes das forças de segurança de Cuba que estavam em território venezuelano. Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela durante “vários anos” e controlar as reservas de petróleo do país.
Tensão diplomática com a Colômbia
Após a ação militar na Venezuela, Trump também fez declarações duras contra a Colômbia, afirmando que o país estaria “governado por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. O presidente estadunidense sugeriu ainda que uma operação militar em território colombiano “soa bem”.
Dias depois, na quarta-feira (7/1), Trump conversou por telefone com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Segundo Petro, foi o primeiro contato entre os dois desde o início do novo mandato de Trump, e a ligação durou cerca de uma hora, com foco na situação da Venezuela e no combate ao narcotráfico.
“Obviamente, eu estava apreensivo. Na conversa, toquei em dois temas para não prolongar demais e fiz um pedido: que sejam restabelecidas as comunicações diretas entre as chancelarias e os presidentes. Se não houver diálogo, há guerra. Se não houver conversa, estamos perdidos”, afirmou Petro durante um discurso em manifestação em Bogotá, convocada por ele próprio.
Trump confirmou o telefonema em publicação na rede Truth Social. “Foi uma grande honra conversar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que temos tido”, disse.
O presidente dos EUA acrescentou que o secretário de Estado, Marco Rubio, trabalha para alinhar uma reunião entre os dois líderes na Casa Branca, com a presença do chanceler colombiano, sem detalhar datas ou condições.
Ofensiva militar no Caribe e no Pacífico
Desde setembro de 2025, o governo Trump vem intensificando ataques militares contra embarcações que afirma serem usadas por traficantes de drogas ou por grupos classificados como “narcoterroristas”. Em outubro, o presidente declarou oficialmente que os Estados Unidos estão em guerra contra os cartéis.
As ações ocorrem em águas internacionais, principalmente no Mar do Caribe e no Pacífico oriental, em rotas que ligam a Venezuela a outras regiões da América Latina. O primeiro ataque registrado foi em 2 de setembro de 2025, quando uma pequena embarcação foi atingida no Caribe. Segundo Trump, 11 pessoas morreram nessa ação.
Levantamentos de organizações independentes e de veículos internacionais indicam que, até dezembro de 2025, ao menos 26 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico foram registrados nessas regiões. Cerca de 22 embarcações foram atingidas, incluindo barcos de pequeno porte e uma semissubmersível.
As estimativas apontam entre 75 e 95 mortos, em operações realizadas com drones e armamentos disparados de navios ou de bases navais. O governo dos Estados Unidos sustenta que as ações fazem parte de uma campanha contra o narcotráfico transnacional e que os alvos representam uma ameaça direta à segurança nacional.






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