Em meio à crise internacional desencadeada pela captura do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, pelo governo dos Estados Unidos, o Departamento de Justiça norte-americano revisou parte de sua acusação contra o líder venezuelano — um recuo em relação à formulação que vinha sendo utilizada desde 2020, segundo reportagem do jornal The New York Times citada pelo g1.
A alteração ocorre num momento de tensões extremas entre Washington e Caracas, que se intensificaram depois que forças dos EUA realizaram uma operação militar em território venezuelano para prender Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transferindo-os para Nova York para responder a acusações criminais federais.
Mudança na linguagem jurídica
Originalmente, o governo norte-americano havia acusado Maduro de chefiar diretamente uma organização criminosa transnacional conhecida na mídia como Cartel de los Soles (Cartel dos Sóis). O grupo, segundo a versão inicial, teria atuado como uma vasta rede de tráfico de drogas sob comando de oficiais venezuelanos de alta patente.
No novo texto do Departamento de Justiça, a acusação de que Maduro era “chefe” dessa organização não aparece mais com a mesma ênfase. Em vez de rotular o Cartel de los Soles como uma entidade concreta chefiada pelo ex-presidente, o governo passou a descrever a conduta de Maduro em termos de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção” vinculada ao tráfico de drogas e de lucrar com essa estrutura de corrupção sistêmica.
O Cartel de los Soles, que havia sido designado pelo Departamento de Estado como organização terrorista internacional em novembro de 2025, é agora referido de forma mais restrita, como um termo guarda-chuva para práticas de narcotráfico associadas a setores da elite venezuelana.
Contexto da captura e processo judicial
A revisão da linguagem jurídica ocorre enquanto Maduro enfrenta uma série de acusações federais em um tribunal de Manhattan, incluindo conspiração para narcoterrorismo, tráfico de cocaína e posse de armas automáticas em conexão com o tráfico — acusações negadas veementemente por ele e seus advogados.
Em sua primeira audiência nos Estados Unidos, Maduro declarou-se inocente e contestou a legalidade de sua captura em Nova York, descrevendo-a como um “sequestro”. A ação, amplamente criticada por especialistas em direito internacional e por governos latino-americanos, foi justificada por Washington como parte de sua campanha contra o narcotráfico e organizações criminosas transnacionais.
A revisão da acusação pelo Departamento de Justiça pode refletir tanto uma tentativa de ajustar argumentos legais diante de críticas como de responder às complexas implicações políticas de uma das mais controversas operações de intervenção estrangeira das últimas décadas.






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