O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá enfrentar um “preço muito alto” caso não coopere com o governo norte-americano. A declaração foi feita em entrevista por telefone à revista The Atlantic.
A fala ocorreu um dia após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por autoridades dos EUA, no sábado (3). Maduro foi detido em Caracas e transferido para um centro de detenção em Nova York, segundo informações divulgadas pelo governo americano.
De acordo com Trump, as consequências para Rodríguez podem ser ainda mais severas do que as impostas a Maduro. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, afirmou o presidente.
Pressão dos EUA e declarações do governo americano
Mais cedo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o país está disposto a dialogar com líderes remanescentes da Venezuela, desde que tomem o que chamou de “decisão correta”. A declaração foi dada em entrevista à emissora CBS News.
“Vamos avaliar tudo pelo que eles fizerem e observar quais serão os próximos passos”, disse Rubio. Ele acrescentou que os EUA mantêm diversas ferramentas de pressão caso o governo venezuelano não coopere.
Rubio também afirmou que é prematuro discutir eleições na Venezuela neste momento, destacando que ainda há “muito trabalho pela frente” antes de qualquer definição sobre o futuro político do país.
Reações internacionais após prisão de Maduro
A prisão de Nicolás Maduro provocou reações imediatas de aliados internacionais da Venezuela. A Coreia do Norte classificou a ação dos Estados Unidos como a “forma mais grave de violação da soberania” do país sul-americano.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano afirmou que acompanha com atenção a situação na Venezuela, descrevendo a ação americana como um “ato de arbitragem”. Para Pyongyang, o episódio evidencia a “natureza desonesta e brutal” dos Estados Unidos.
O governo norte-coreano também avaliou que a atual situação pode gerar consequências “catastróficas” para a Venezuela, reforçando críticas à atuação de Washington na região.
China cobra libertação imediata do líder venezuelano
Também neste domingo (4), a China pediu que os Estados Unidos libertem imediatamente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a questão venezuelana deve ser resolvida por meio de diálogo e negociação.
Em nota oficial, o governo chinês declarou que a detenção e possível deportação do casal violam normas e o direito internacional. Pequim também cobrou garantias de segurança pessoal para Maduro e a primeira-dama.
A China é uma das principais parceiras políticas e econômicas da Venezuela e, nos últimos anos, tem defendido publicamente que conflitos internos no país sejam resolvidos “pelo povo venezuelano, sem interferência externa”.
Detenção em Nova York e acusações contra Maduro
Nicolás Maduro chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado (3), após ser capturado por autoridades americanas. Antes disso, ele foi levado ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde passou por procedimentos de identificação.
Imagens divulgadas por um perfil oficial da Casa Branca na rede social X mostram Maduro sendo escoltado por agentes federais. Em entrevista coletiva, Trump afirmou que avalia os próximos passos em relação à Venezuela e mencionou a criação de um “grupo” para conduzir uma transição de poder, sem detalhar prazos.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York. Segundo ela, o presidente venezuelano e Cilia Flores foram formalmente acusados de conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse de armamento pesado.






Deixe um comentário