Vídeo: Estados Unidos atacam a Venezuela e capturam o presidente Nicolás Maduro

Anúncio foi feito por Trump e ocorre após noite de explosões, apagões e sobrevoo de helicópteros em Caracas, capital do país

Os Estados Unidos realizaram neste sábado (03) a maior intervenção militar na América Latina em décadas ao atacar a Venezuela, bombardear a capital, Caracas, e capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A operação marcou o ponto culminante de meses de escalada militar e política e abriu uma crise regional de grandes proporções.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Maduro e Flores estão sob custódia americana em um navio militar no Caribe e que seguirão para Nova York, onde serão julgados por crimes relacionados ao narcotráfico. Segundo ele, a ação não resultou em mortes de soldados americanos e deixou apenas alguns feridos. Assista:

Prisão e acusações criminais

A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, informou que Maduro e Cilia Flores foram formalmente indiciados na Justiça de Nova York. De acordo com ela, o líder venezuelano é acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.

Pam também disse que pesa contra ele o crime de conspiração para uso desse tipo de armamento contra os Estados Unidos. Washington sustenta que a captura faz parte de uma ofensiva mais ampla contra redes internacionais de tráfico de drogas supostamente ligadas ao governo venezuelano.

Bombardeios e estado de emergência

O governo da Venezuela afirmou ainda durante a madrugada que o país sofreu uma agressão militar. Múltiplas explosões atingiram Caracas e outras regiões, levando o regime a decretar estado de emergência. Segundo comunicado oficial, ataques também ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, com mobilização das Forças Armadas.

Relatos de moradores e imagens que circularam nas redes sociais mostram aeronaves militares sobrevoando a capital, colunas de fumaça e interrupções no fornecimento de energia elétrica, especialmente no sul de Caracas, próximo a uma importante base militar.

Pedestres correm após explosões e aviões voando baixo serem ouvidos em Caracas, Venezuela.

Trump fala em novo governo

Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que os Estados Unidos ainda decidem o que acontecerá com a liderança da Venezuela. O presidente americano afirmou que ninguém leal a Maduro permanecerá no poder e mencionou a líder opositora María Corina Machado como um dos nomes considerados por Washington para conduzir o país.

Trump também afirmou que passará a estar fortemente envolvido na indústria petrolífera venezuelana, indicando que o controle dos recursos energéticos é parte central da estratégia americana.

A declaração foi publicada na plataforma Truth Social, onde o líder americano informou que mais detalhes sobre a operação serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, horário de Brasília, em Mar-a-Lago, na Flórida.

Horas após a captura, María Corina celebrou o desfecho e declarou que chegou a hora da liberdade para os venezuelanos. Ela afirmou que Maduro enfrenta a justiça internacional por crimes cometidos contra a população e defendeu que Edmundo González assuma imediatamente o mandato presidencial e seja reconhecido como comandante em chefe das Forças Armadas.

Para a oposição, a ofensiva americana encerra a possibilidade de uma transição negociada e impõe um novo cenário político no país.

Espaço aéreo fechado e paradeiro incerto

A Administração Federal de Aviação dos EUA suspendeu voos civis sobre a Venezuela e sobre a ilha de Curaçao, citando riscos à segurança em razão da atividade militar em curso. Apesar das declarações de Trump, o paradeiro exato de Maduro e de sua esposa segue oficialmente desconhecido para o governo venezuelano.

A vice-presidente Delcy Rodríguez divulgou um áudio exigindo prova imediata de vida do presidente e da primeira-dama. O procurador-geral Tarek William Saab também condenou os ataques e reforçou o pedido.

Incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após uma série de explosões em Caracas.

Resistência interna e vítimas

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou em vídeo que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras. Já o ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu calma à população e disse que ninguém deve facilitar a ação do inimigo invasor, alegando ainda, sem apresentar provas, que bombas atingiram áreas civis.

Autoridades venezuelanas reconheceram a existência de mortos e feridos em número ainda não especificado, enquanto o acesso a áreas atingidas segue restrito.

Reação internacional e ONU

Em comunicado, o chanceler venezuelano Yván Gil denunciou a ofensiva como grave violação da Carta das Nações Unidas e afirmou que a agressão ameaça a paz e a estabilidade da América Latina e do Caribe. Ele solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para discutir o episódio.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que os ataques ultrapassam uma linha inaceitável e alertou que ações desse tipo, em violação do direito internacional, abrem caminho para um mundo de violência e instabilidade.

María Corina Machado, opositora do regime de Nicolás Maduro e vencedora do Nobel da Paz 2025.

Escalada militar planejada

A ofensiva deste sábado foi precedida por meses de escalada. Navios de guerra e soldados americanos foram deslocados para o Caribe, dezenas de embarcações suspeitas de tráfico foram bombardeadas, com mais de cem mortos, e Washington aumentou para US$ 50 milhões a recompensa pela captura de Maduro.

Trump já havia alertado em novembro que autorizaria ataques terrestres e operações da CIA na Venezuela. Segundo informações divulgadas nos Estados Unidos, o planejamento da operação começou em meados de dezembro e a execução foi adiada por fatores como condições climáticas e decisões estratégicas paralelas.

Horas após o ataque, o governo americano evitou comentar publicamente a formação de um governo de transição, embora interlocutores indiquem que cenários para o vácuo de poder deixado por Maduro já estejam sendo discutidos nos bastidores.

Explosões e helicópteros em Caracas

Durante a madrugada, vídeos que circularam nas redes sociais mostraram helicópteros sobrevoando Caracas enquanto explosões iluminavam o céu da capital. Relatos indicam que ao menos sete explosões foram ouvidas por volta das 2h, acompanhadas de ruídos semelhantes ao de aviões militares. Segundo informações não confirmadas, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, usados em operações especiais.

Fontes locais relataram que possíveis alvos incluíram a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna, um dos principais complexos militares do país. O governo venezuelano afirmou que ataques atingiram também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, além da capital.

Falta de energia e relatos de pânico

Uma equipe da rede americana da CNN informou que algumas áreas de Caracas ficaram sem energia elétrica após as explosões. A correspondente Osmary Hernandez escreveu que uma das detonações foi tão forte que fez sua janela tremer. Moradores descreveram um clima de pânico diante do barulho contínuo e das imagens que circulavam nas redes sociais.

“Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões”, relatou à AFP Francis Peña, de 29 anos, morador da zona leste da capital.

Explosões em Caracas.

Explosões próximas a áreas militares

Sob condição de anonimato, uma aposentada de 67 anos que vive perto do Forte Tiuna afirmou ter ouvido explosões desde as 2h da manhã. “Há pausas, depois recomeçam. Ainda consigo ouvi-las agora”, disse, acrescentando que as janelas tremeram e que se escondeu em um quarto sem janelas.

Também na região, Emmanuel Parabavis, de 29 anos, morador do bairro El Valle, relatou sons semelhantes a disparos de metralhadora. “Parece como se estivessem se defendendo de bombardeiros. Ouvimos muitas explosões e tiros; imaginamos que sejam contra os aviões que estão sobrevoando a região.”

Fumaça na costa e tensão crescente

Na cidade costeira de La Guaira, ao norte de Caracas, também houve relatos de explosões durante a madrugada. Vídeos obtidos pela AFP mostram colunas de fumaça cinza e alaranjada ao longo da costa, embora as imagens não permitam identificar com precisão os locais atingidos.

A escalada ocorre após declarações recentes de Trump, que havia enviado uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionado a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmado que os dias de Maduro no poder estavam contados. Na última segunda-feira, o presidente americano disse que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas no país.

Líder venezuelano, Nicolás Maduro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Acusações, defesa e contexto militar

Trump acusa Maduro de chefiar uma ampla rede de narcotráfico, alegação rejeitada pelo governo venezuelano, que afirma que Washington busca derrubar o regime para controlar as reservas de petróleo do país. Em entrevista recente, Maduro declarou que o sistema de defesa nacional garante a integridade territorial e a paz.

Desde setembro, forças americanas realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, com ao menos 115 mortes. Paralelamente, os Estados Unidos mobilizaram o maior destacamento militar no Caribe desde a Crise dos Mísseis de 1962, incluindo um porta-aviões, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.

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