Moradores de diferentes regiões da Venezuela relataram momentos de medo e confusão durante a madrugada deste sábado, quando explosões atingiram cidades próximas à capital e áreas estratégicas do país.
Em Higuerote, no litoral do estado de Miranda, a cerca de 85 quilômetros de Caracas, um jovem disse ter sido acordado por estrondos que inicialmente confundiu com fogos de artifício, antes de perceber a gravidade da situação.
O ataque foi confirmado horas depois pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou em sua plataforma Truth Social que Washington realizou uma ofensiva de grande escala contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro.
No litoral, o susto veio do céu
Morador de Higuerote, o jovem de 23 anos contou que foi despertado por um barulho intenso. A princípio, pensou se tratar de fogos de artifício, mas logo outra explosão fez o chão tremer.
Segundo ele, os vizinhos começaram a gritar e correr pela rua, e ao sair de casa foi possível ver uma grande parede de fumaça se formando. Ele relatou ainda que o céu ficou vermelho de repente e, segundos depois, um som cortou o ar.
Após um período de cerca de 20 minutos de silêncio, o barulho teria retornado com o som de aviões e novas explosões. O morador afirmou que, apesar de parecerem controladas, as detonações davam a impressão de que todo o aeroporto local havia sido destruído.
Aeroportos atingidos e fogo no céu
Imagens que circularam nas redes sociais mostraram um grande incêndio e explosões em um aeroporto de Higuerote. Vídeos exibem bolas de fogo cruzando o céu sobre o incêndio, em cenas que sugerem a atuação de um sistema de defesa aérea durante o bombardeio. Este teria sido ao menos o segundo aeroporto venezuelano atingido durante a ofensiva americana.
Na capital, outro morador relatou ter visto colunas de fumaça na direção de La Carlota ao acordar com o barulho. A região abriga a Base Aérea Generalíssimo de Miranda e um aeroporto militar, considerados pontos estratégicos das Forças Armadas venezuelanas.
Explosões em vários estados
Em comunicado, o governo venezuelano informou que, além de Caracas, os ataques atingiram os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Vídeos mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da faixa costeira de La Guaira, reforçando os relatos de que a ofensiva se espalhou por diferentes regiões do país.
Moradores da área costeira também relataram pânico. Uma mulher de 58 anos contou que sentiu o impacto das explosões a ponto de ser levantada da cama e chorou ao perceber a gravidade do que estava acontecendo.
Medo e silêncio na madrugada
Na capital venezuelana, o clima foi descrito como de pânico diante das imagens de explosões ao redor da cidade. Um profissional da comunicação de 29 anos, morador da zona leste, afirmou que dormia quando foi acordado pela namorada, que disse que estavam bombardeando. Ele não viu as explosões, mas ouviu claramente o som dos aviões.
Perto do Forte Tiuna, uma aposentada de 67 anos relatou ter ouvido explosões desde as 2h, com pausas e retomadas constantes. Segundo ela, as janelas tremeram e, com medo, se escondeu em um quarto sem janelas. Outro morador da região, de 29 anos, comparou o som a uma metralhadora, como se houvesse uma defesa contra bombardeiros, e disse que ouviu muitas explosões e tiros.
A ofensiva e o contexto internacional
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos sobrevoando Caracas durante a madrugada, enquanto múltiplas explosões iluminavam o céu. Relatos não confirmados indicam que as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, usados em operações secretas.
Segundo informações, algumas áreas da capital ficaram sem energia elétrica após as explosões. A correspondente da emissora em Caracas relatou que uma das detonações foi tão forte que fez sua janela tremer.
Os ataques ocorreram após declarações de Trump, que havia enviado uma frota de navios de guerra ao Caribe, mencionado a possibilidade de ações militares em território venezuelano e afirmado que os dias de Maduro no poder estavam contados.
Na última segunda-feira, o presidente americano disse que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela.
Em entrevista recente, Maduro afirmou que o sistema de defesa nacional garante a integridade territorial, a paz do país e o uso de todos os seus territórios. Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, com ao menos 115 mortes.
Paralelamente, Washington mobilizou o maior destacamento militar no Caribe desde a Crise dos Mísseis de 1962, incluindo um porta-aviões, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação negada por Caracas, que afirma que o objetivo dos Estados Unidos seria derrubar o governo venezuelano para se apropriar das reservas de petróleo do país, consideradas as maiores do mundo.






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