A fadiga da tripulação pode ter contribuído para a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. A conclusão é de uma auditoria do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgada nesta terça-feira (16), que analisou escalas de serviço e períodos de descanso dos quatro tripulantes. O relatório classificou o caso como acidente de trabalho grave.
Segundo os auditores, a empresa reduziu o tempo de repouso da tripulação, descumprindo a legislação que estabelece limites de jornada e intervalos mínimos. O excesso de cansaço pode ter prejudicado reflexos e capacidade de concentração, fatores críticos para a segurança em voo.
Outros fatores em investigação
Além da fadiga, os técnicos apontaram hipóteses como formação de gelo nas asas e falhas no sistema de degelo do ATR-72. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda prepara um relatório final sobre as causas do desastre aéreo.
O levantamento do Ministério do Trabalho verificou registros de hospedagem em hotéis para checar se os períodos de descanso eram respeitados. Também constatou violação de cláusulas da Convenção Coletiva voltadas à prevenção da fadiga.
Autuações e multas à companhia
A fiscalização resultou em dez autos de infração contra a Voepass, que podem gerar multas de aproximadamente R$ 730 mil. A empresa também foi notificada por não recolher mais de R$ 1 milhão em FGTS de funcionários.
Os auditores reforçaram que medidas preventivas baseadas em pesquisas científicas poderiam ter reduzido o risco de fadiga e, consequentemente, de acidentes. Procurada, a Voepass não se manifestou até a publicação desta reportagem.






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