“A aeronave da Voepass envolvida em um acidente na cidade de Vinhedo (SP) em agosto estava com o sistema totalmente operacional após passar por um processo de manutenção no dia anterior à tragédia”, afirmou o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, ao ser ouvido pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre o acidente. Ele, porém, admitiu a possibilidade de que uma falha possa ter ocorrido.
— O avião tinha acabado de passar por um processo de manutenção na noite anterior na nossa base principal em Ribeirão Preto. Ele saiu do pernoite, foi a Guarulhos, foi a Cascavel e estava retornando a Guarulhos. O sistema estava totalmente operacional. Ele pode, porventura, ter uma falha? Pode. Mas existem os procedimentos para tudo isso ser executado caso essa falha aconteça antes da partida ou durante o voo — explicou.
Na audiência, Felício Filho foi questionado principalmente sobre o funcionamento do sistema de degelo da aeronave. No relatório preliminar, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que os pilotos citaram problemas no sistema no início do voo, mas destacaram que a tripulação não declarou emergência.
O relatório confirma que o piloto do avião ATR da Voepass não declarou emergência para a torre de controle para fazer um pouso alternativo por causa da formação severa de gelo na asa da aeronave. Em situações adversas, o piloto tem autonomia para descer de nível, por exemplo, e com uma temperatura externa mais elevada, evitar o problema.
Aos parlamentares, Felício Filho afirmou que não iria especular sobre os motivos que levaram ao acidente, em respeito aos familiares e amigos das vítimas. O executivo lembrou que os pilotos tinham treinamento para voos em condições de gelo. Segundo Felício, desde o acidente a empresa passou por mudanças de executivos e revisou procedimentos internos.
— As causas específicas do que ocorreu, o Cenipa vai poder trazer de forma concreta, se o sistema de manutenção ou fatores humanos ou da aeronave ou o que quer que seja, ou múltiplos fatores. A empresa está neste momento totalmente empenhada e colaborativa e ativa ao longo desse processo. Enquanto não tivermos todas as respostas do que houve, nós não iremos descansar.
O relatório final do Cenipa não tem prazo para ser divulgado, mas deve ser concluído em um ano. Os relatórios do Cenipa não apontam culpados, mas o conjunto de fatores que levaram ao acidente. A partir disso, são emitidas recomendações e determinações para melhorar procedimentos, o projeto da aeronave, ou outros aspectos técnicos. A Polícia Federal (PF) também apura as razões do acidente. Nesse caso, há sim a possibilidade de se apontar culpados e diligências.
A queda da aeronave, que saiu de Cascavel (PR) e iria para Guarulhos (SP), não deixou sobreviventes. O ATR-72 tinha 57 passageiros e 4 tripulantes a bordo.
Com informações de O Globo.





