O avião que caiu em Vinhedo nesta sexta-feira (9) havia passado por manutenção na noite anterior e estava com todas as condições de voo, afirmam os responsáveis pela VoePass, empresa aérea dona da aeronave. O CEO da companhia, Eduardo Busch, e o diretor de operações, Marcel Moura, disseram em entrevista em um hotel em Ribeirão Preto, onde fica a sede da empresa, na noite desta sexta.
Os dois afirmaram que ainda não é possível tirar qualquer conclusão sobre as causas do acidente. “Não temos informação sobre as causas do acidente. Qualquer informação transmitida a esse respeito não passa de mera especulação e hipóteses, o que, diante de uma tragédia dessa proporção, só gera ainda mais ruído e dor em todos que já estão absolutamente abalados”, afirmou Busch, em texto que leu.
Sobre a hipótese de o acidente ter sido provocada pela formação de gelo nas asas do avião, Moura afirmou que “o ATR (modelo do avião) tem uma sensibilidade um pouco maior à situação de gelo, (essa hipótese) não é descartada, assim como nenhuma hipótese é descartada nesse momento. O Cenipa (órgão federal de investigação e prevenção de acidentes aéreos) já está em ação, é o órgão responsável por essa investigação, nós estamos lado a lado”, afirmou.
“O avião é sensível ao gelo, é um ponto de partida, pode ser, mas ainda é muito precoce qualquer tipo de ideia em relação ao evento”, disse o diretor de operações da empresa. “Essa aeronave voa numa faixa (de altitude) que tem uma formação maior de gelo. Na nossa despachabilidade, nós avaliamos a condição de gelo na altitude em que ela (a aeronave) vai voar. Hoje (sexta-feira) estava previsto gelo, mas dentro das características aceitáveis para o voo”, concluiu.
Segundo a VoePass, nesta sexta-feira o avião começou a operar às 5h30, quando partiu de Ribeirão Preto para São Paulo, e depois foi de São Paulo para Cascavel. O voo para Guarulhos seria o terceiro do dia, e segundo os executivos nenhum problema foi detectado nas duas primeiras operações.
– Essa aeronave saiu de Ribeirão Preto, nossa base principal de manutenção. Ela fez a manutenção de rotina na noite anterior e saiu daqui sem nenhum tipo de problema técnico que inviabilizasse sua aeronavegabilidade. A aeronave estava perfeitamente aeronavegável – garantiu Moura.
Sobre problemas que teriam ocorrido no ar condicionado do avião, como foi relato pela jornalista Daniela Arbex em vídeos publicados nas redes sociais, o diretor de operações afirmou não ter conhecimento dos vídeos e que o ar condicionado desse modelo de aeronave não funciona quando ela está no solo:
– Eu não tive conhecimento, não vi esse vídeo, então não vou trazer essa informação para essa aeronave. Ela estava despachada com todos os critérios técnicos, então a gente entende que está de acordo com a legislação. A princípio nós não temos relatos nesse sentido – afirmou Moura.
Busch elogiou a tripulação, que segundo ele era “experiente, competente e totalmente apta” para conduzir o voo normalmente. O comandante Danilo Santos Romano tinha 5.202 horas de voo, e Humberto Campos de Alencar Silva, o copiloto, tinha 5.100 horas de voo, disse.
Ele afirmou ainda que a maior preocupação da empresa nesse momento é em prestar assistência às famílias das vítimas.
– Nós temos o time de assistência às famílias, que está entrando em contato, e nós acionamos a questão da cobertura de seguros para imediatamente fazer alguma liberação de valores, para nesse momento de urgência o pessoal ser atendido – afirmou.
Ele contou ainda que, após o acidente, todos os tripulantes dos demais voos previstos para sexta-feira e sábado foram consultados para saber se tinham condições psicológicas de trabalhar, e aqueles que não quiseram não trabalharam.
Com informações do Estado de S.Paulo




