Impacto da violência na educação pauta audiência no Rio

Levantamento aponta mais de quatro mil tiroteios perto de escolas e perdas de até um ano letivo

Em meio a um cenário de interrupções frequentes no funcionamento das escolas, a violência armada volta ao centro do debate público no Rio. A Assembleia Legislativa (Alerj) realiza, nesta quinta-feira (30), uma audiência pública para discutir os efeitos dos confrontos armados sobre a educação na Região Metropolitana.

A iniciativa é da Comissão de Trabalho, presidida pela deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), e se apoia em dados do estudo Educação Sob Cerco, elaborado pelo Instituto Fogo Cruzado, pelo GENI-UFF e pelo UNICEF. O levantamento aponta que a violência se tornou um obstáculo recorrente ao acesso à educação.

Cenário de interrupções e impacto no ensino

De acordo com o estudo, somente em 2022 foram registrados mais de 4.400 episódios de tiroteios no entorno de escolas públicas, afetando cerca de 1.800 unidades e aproximadamente 800 mil estudantes. O número representa quase metade dos alunos da Região Metropolitana.

Entre as áreas mais impactadas, o Complexo da Maré aparece com maior concentração de ocorrências, seguido por regiões como Vila Kennedy, Manguinhos, Rocinha, Jacarezinho e Costa Barros. Nesses territórios, a rotina escolar tem sido marcada por interrupções constantes.

Dados mais recentes indicam que o cenário se mantém. Entre 2023 e julho de 2025, mais de 2.200 paralisações no funcionamento de escolas foram registradas devido à violência. Em um único dia de setembro de 2024, ao menos 27 unidades suspenderam as atividades por conta de operações policiais e confrontos.

Desigualdades e condições de trabalho

Além de comprometer o calendário letivo, a violência armada aprofunda desigualdades educacionais. Escolas situadas em áreas com maior presença de grupos armados apresentam indicadores socioeconômicos mais baixos e perdas de aprendizagem que podem chegar a um ano de escolaridade.

Para profissionais da educação, o ambiente de trabalho também é afetado. Relatos apontam para riscos constantes, impactos na saúde mental e dificuldades na manutenção das atividades pedagógicas em condições regulares.

Busca por soluções

Segundo a deputada Dani Balbi, a audiência pública tem como objetivo reunir diferentes setores para discutir respostas ao problema.

“Não estamos diante de episódios isolados, mas de uma realidade estrutural que impede o pleno funcionamento das escolas e compromete o futuro de milhares de jovens”, afirmou.

O encontro deverá reunir especialistas, representantes de instituições públicas, profissionais da educação e organizações da sociedade civil, com foco na construção de medidas que assegurem a continuidade das atividades escolares e a proteção de estudantes e trabalhadores em áreas afetadas pela violência.

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