Na linha do tiro: Audiência na Câmara discute impacto dos tiroteios próximo às escolas do Rio

Encontro nesta terça (9) vai discutir a insegurança no entorno das escolas, que seguem fechando as portas por causa de confrontos armados. Pauta inclui a cobrança por protocolos em dias de operação policial e relatos de bullying nas unidades

A rotina de interrupções no ensino público carioca, provocada por tiroteios em diferentes áreas da cidade — principalmente nas zonas Norte e Oeste — será assunto na Câmara do Rio nesta terça-feira (9). A Comissão de Educação da Casa vai promover uma audiência pública, às 10h, para discutir a insegurança no entorno das unidades escolares, além dos casos de violência dentro das próprias creches e escolas.

O encontro, convocado pelo presidente do colegiado, Salvino Oliveira (PSD), deve reunir representantes das polícias Civil e Militar, Ministério Público, Defensoria e Secretaria de Educação. O objetivo, segundo ele, é cobrar protocolos mais eficazes para proteger alunos e servidores em meio ao fogo cruzado.

O grupo chegou a fazer um levantamento sobre a paralisação nas unidades por conta dos confrontos. De acordo com o estudo, até agosto deste ano, na área do Complexo do Chapadão, na Zona Norte, por exemplo, 39 escolas chegaram a ficar sem aula por 29 dias devido a tiroteios — o equivalente a um mês letivo perdido.

Na mesma região, no Morro do Juramento, ao menos cinco escolas ficaram paradas por cerca de 28 dias, enquanto na Serrinha quatro unidades ficaram sem atividades por 22 dias, e no Morro do Trem e Vila Kosmos, outras quatro também suspenderam aulas por 21 dias. Já na Vila Kennedy, na Zona Oeste, foram ao menos 17 unidades fechadas por 22 dias.

“Queremos compreender a fundo a situação da segurança pública, traçando um panorama detalhado para avaliar as consequências das políticas de segurança para os educadores e para a qualidade do ensino oferecido. A criminalidade no Rio tem afetado a saúde dos profissionais de educação, assim como o resultado no desempenho e no desenvolvimento dos alunos”, afirma Salvino.

Caso da Ilha

Além dos tiroteios, a audiência também vai abordar os episódios de violência entre estudantes. O debate ocorre na esteira do caso recente de uma criança de 10 anos que perdeu a visão de um olho após ser agredida por colegas em uma escola municipal na Ilha do Governador, na última semana. 

De acordo com a mãe, o menino era alvo constante de bullying pelos colegas de sala, tendo relatado diversas situações de agressão. Ela chegou a contar que procurou a direção várias vezes, mas sem resolução. O caso segue sendo investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), que apura as circunstâncias da agressão e a responsabilidade dos envolvidos.

“Queremos garantir que haja responsabilização e reformulação dos protocolos de proteção e cuidado no ambiente escolar na cidade. A educação tem de ser espaço de respeito e segurança, nunca de violência ou omissão”, diz o presidente do colegiado, defendendo o endurecimento contra casos de bullying.

Vereadores já cobraram protocolos mais rígidos

A cobrança por protocolos mais rígidos em dias de tiroteio próximo a escolas não é de hoje. Além de já ter sido levantada em audiências externas da Comissão de Educação, a questão motivou um requerimento enviado à prefeitura pela vereadora Maíra do MST (PT) no fim do mês passado, após o caso do menino de 12 anos baleado dentro de um Ciep na Maré durante um confronto entre traficantes rivais.

No documento, a parlamentar cobrou dados sobre o impacto das operações policiais e dos confrontos armados na rede municipal, além de orientações mais específicas sobre o que deve ser feito em prol da segurança de funcionários e estudantes em dias de confronto.

Segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, citado no arquivo enviado ao Executivo, cerca de 2 mil tiroteios próximos a escolas do município foram registrados entre 2022 e 2024 — a maioria a menos de 300 metros de distância das unidades de ensino. A megaoperação realizada no fim de outubro, por exemplo, fechou 31 escolas no Alemão e 17 na Penha em um único dia, segundo a vereadora, sem maiores orientações do que deveria ser feito para resguardar quem estivesse nos locais.

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