Três irmãs que vivem no Rio de Janeiro alcançaram um feito raro e impressionante. Levita de Deus Nunes, que completou 109 anos neste domingo (7), Zoraide de Deus Mota, de 104 anos, e Zulina de Deus Nunes, de 103, somam juntas 316 anos de vida e receberam o reconhecimento da LongeviQuest como o trio de irmãos vivos mais longevo do mundo.
Nascidas em Cedro de São João, no interior de Sergipe, elas cresceram em uma família de oito irmãos e testemunharam mais de um século de transformações sociais, tecnológicas e culturais no Brasil. Atualmente, moram na Zona Norte do Rio de Janeiro, cercadas por filhos, netos, bisnetos e tataranetos.
Quando questionadas sobre o segredo para viver tanto tempo, as respostas são simples e diretas. Para Zoraide, o caminho está em viver com tranquilidade, evitar conflitos e pensar no futuro. Já Zulina resume sua filosofia de vida em poucas palavras: “O segredo é saber viver”.
Alimentação natural e hábitos simples
As centenárias não atribuem a longevidade a fórmulas milagrosas. Entre os fatores mais citados pela família estão a alimentação caseira, a vida ativa e a convivência familiar.
Durante a infância em Sergipe, a rotina era marcada pelo consumo de alimentos produzidos pela própria família. Leite, frutas, verduras e legumes eram retirados diretamente da propriedade onde viviam. O preparo dos alimentos também era artesanal, preservando sabores e costumes que ficaram marcados na memória das irmãs.
Familiares acreditam que esse estilo de vida, baseado em alimentos naturais e pouco processados, contribuiu significativamente para a saúde preservada ao longo das décadas.
A filha de Zoraide destaca que as irmãs cresceram consumindo produtos frescos, muito diferentes dos alimentos industrializados que predominam atualmente.
Genética também chama atenção
Outro aspecto frequentemente lembrado pelos parentes é a herança familiar. A mãe das irmãs, Jovelina de Deus Nunes, viveu até completar 100 anos, tornando-se uma referência quando o assunto é longevidade dentro da família.
Segundo os descendentes, a genética certamente teve influência, mas não explica tudo. Eles apontam que a educação recebida, os hábitos saudáveis cultivados desde a infância e a disciplina ao longo da vida tiveram papel igualmente importante.
A combinação entre fatores hereditários e estilo de vida é vista pela família como a principal explicação para a impressionante trajetória das três irmãs.
Rotina ativa mesmo após os 100 anos
Apesar da idade avançada, Levita, Zoraide e Zulina mantêm atividades que estimulam a mente e fortalecem os vínculos sociais.
Zulina continua acompanhando atentamente a rotina dos familiares e demonstra interesse constante pelo dia a dia de filhos, netos e bisnetos. Já Levita mantém o hábito da leitura, enquanto Zoraide gosta de compartilhar histórias de sua juventude e experiências profissionais.
A convivência social permanece intensa, com encontros familiares, conversas frequentes e atividades recreativas que ajudam a preservar a qualidade de vida das centenárias.
Entre os passatempos favoritos estão jogos de cartas, palavras cruzadas, sudoku e encontros com amigos. A fé também ocupa papel importante na vida das irmãs. Para Levita, a explicação para tantos anos de vida é simples: trata-se de uma bênção divina.
Reconhecimento internacional
A história das três irmãs chegou ao conhecimento da LongeviQuest após uma publicação nas redes sociais em homenagem aos 108 anos de Levita. O conteúdo despertou a atenção dos pesquisadores da organização especializada em validar casos de longevidade extrema.
A partir daí, teve início um processo rigoroso de análise documental. Foram avaliadas certidões de nascimento, registros de batismo, documentos de casamento, carteiras de trabalho e documentos de identificação emitidos ao longo da vida.
O trabalho foi conduzido pela pesquisadora brasileira Iara Souza e pelo pesquisador americano Gabriel Ainsworth, responsáveis pelas validações da entidade no Brasil.
Documentação confirmou recorde mundial
Após a verificação detalhada dos documentos, a LongeviQuest confirmou oficialmente que Levita, Zoraide e Zulina formam atualmente o trio de irmãos vivos mais longevo do planeta.
Além de registrar casos raros, a entidade destaca que esse tipo de validação contribui para estudos científicos sobre envelhecimento humano e longevidade.
O reconhecimento internacional transformou a história das três sergipanas radicadas no Rio de Janeiro em uma referência mundial quando o assunto é envelhecer com saúde e autonomia.
Orgulho para as novas gerações
Filhos, netos e bisnetos acompanham de perto a rotina das irmãs e relatam admiração pela lucidez e disposição que elas demonstram diariamente.
Os familiares contam que as visitas costumam ser acompanhadas de histórias sobre diferentes momentos da vida das centenárias, preservando memórias que atravessam gerações.
Para os descendentes, a união familiar é um dos principais pilares da qualidade de vida das irmãs. O contato frequente e o apoio mútuo ajudam a manter a autonomia e o bem-estar das três.
Embora muitos parentes tenham esperança de herdar a longevidade da família, eles ressaltam que o mais importante não é apenas alcançar os 100 anos, mas chegar à velhice com saúde, independência e qualidade de vida.






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