A última vez que o garçom e artesão José Augusto Mota da Silva, de 32 anos, falou com a família, que vive em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo foi na quarta-feira. Depois de perguntar se todos estavam bem, contou para uma das irmãs, Meiriane Mota da Silva, de 38 anos, que estava com fortes dores no estômago e tinha marcado uma consulta numa clínica da família com um especialista.
No fim da noite de sexta-feira, outra ligação trouxe a notícia que todos pensaram inicialmente que fosse um trote. Um amigo de José Augusto localizou parentes dele pelas redes sociais e contou que ele morrera sentado em uma cadeira na UPA da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. José Augusto passara pela triagem, e a equipe de saúde parece não ter percebido a gravidade do caso:
— Ele poderia estar vivo. Essas pessoas que estavam de plantão na UPA são monstros. Vamos processar a prefeitura. A gente retornou as ligações desse amigo para confirmar que não era mentira. Foi quando começaram a circular os vídeos em que mostram meu tio morto. Ficamos chocados — diz a funcionária de almoxarifado Emily Larissa, de 19 anos, filha de Meiriane.
Em um dos vídeos, uma mulher aparece e comenta:
“O homem chegou aqui gritando de dor, e só o atenderam depois que ele morreu. Isso é uma ruindade, uma ruindade, todos são culpados”.
Pelas redes sociais, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz informou que foi aberta sindicância e que toda a equipe de plantão na UPA será demitida:
”Todos os profissionais que estavam no plantão da UPA da Cidade de Deus, na noite de ontem, serão demitidos, responderão sindicância e serão denunciados nos seus respectivos conselhos de classe. É inadmissível não perceberem a gravidade do caso”, disse Soranz pelas redes sociais.






