Saúde no Rio: mais de 427 mil aguardam atendimento, entre consultas, exames e cirurgias

Aumentos na oferta de vagas não acompanham a demanda crescente; redes estadual e municipal explicam gargalos e soluções planejadas

Os problemas na saúde pública do Rio de Janeiro ganharam destaque com a morte de José Augusto Mota da Silva, de 32 anos, enquanto aguardava atendimento na UPA da Cidade de Deus. Além dos problemas em emergências, mais de 427 mil pessoas esperam por consultas, exames ou cirurgias na rede municipal, enquanto outras 255 mil estão na lista do Sistema Estadual de Regulação.

Mesmo com o aumento da oferta de vagas este ano, a demanda segue superando a capacidade. Pacientes aguardam meses ou até anos para atendimento: o tempo médio para uma consulta oftalmológica, por exemplo, chega a 367 dias.

O Sistema de Regulação (Sisreg) e o Sistema Estadual de Regulação (SER) priorizam urgências, mas a espera prolongada por consultas de rotina pode ser fatal. Casos como o de Manoel Fernandes, que faleceu na hora de realizar um exame de angiotomografia, ilustram as graves consequências dessa lentidão. Segundo o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, onde ele seria atendido, a falta de insumos durante a pandemia levou ao contingenciamento de exames.

Há 46 mil pessoas aguardando por consulta na capital

Na rede estadual, a fila por ultrassonografias abdominais aumentou 750% entre junho e dezembro deste ano. Relatório quadrimestral da Secretaria Municipal de Saúde apontou que, até agosto, as unidades da capital registraram aumento na produção hospitalar em comparação ao mesmo período de 2023. Contudo, a fila por consultas cresceu em números absolutos, com 46 mil pessoas aguardando em outubro, 18 mil a mais que no mesmo mês do ano anterior.

A Prefeitura atribui esse aumento à ampliação do acesso básico à saúde, maior expectativa de vida e à migração de usuários de planos privados para o SUS. Entre as ações planejadas estão a construção de dois Super Centros de Saúde e a municipalização de hospitais federais. O secretário Daniel Soranz destacou que a atenção primária agora abrange 91% dos cariocas, o maior índice da história.

Na oncologia, 815 pacientes aguardam por consultas há mais de dois meses, situação agravada pela dependência da rede federal, que vem reduzindo a oferta. Teresa Navarro Vannucci, do Ministério da Saúde, afirmou que a reestruturação busca aumentar as vagas no próximo ano, destacando a importância da rapidez no atendimento oncológico.

Secretarias de Saúde frisa que há novas unidades em construção

A Secretaria Estadual de Saúde informou que está em diálogo constante com os hospitais para ampliar a oferta e reduzir as faltas, que chegam a 40%. Além disso, tem contratado leitos em unidades privadas e está finalizando obras como o Hospital Oncológico de Nova Friburgo e o Instituto Estadual do Câncer da Baixada. Já a Secretaria Municipal ressaltou a criação de 3 milhões de vagas no Sisreg em 2024, mas reconheceu o aumento da demanda devido à maior cobertura da atenção primária e ao crescimento de acidentes de moto.

Com informações de O Globo

LEIA MAIS

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading