O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu arquivar a investigação contra o bispo Samuel Cássio Ferreira, ligado à Assembleia de Deus Ministério Madureira, por suposta prática de lavagem de dinheiro. A decisão, assinada pelo juiz Bruno Monteiro Ruliere no último dia 18 de junho, acolheu um pedido de habeas corpus e determinou o trancamento tanto do inquérito policial quanto da notícia-crime envolvendo o líder religioso.
O caso é um desdobramento das investigações da Operação Lava Jato e gira em torno de duas doações de R$ 125 mil feitas em agosto de 2012 pela empresa Piemonte Empreendimentos, ligada ao delator Júlio Camargo, à igreja Assembleia de Deus, na época sob direção de Ferreira. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), os repasses somavam R$ 250 mil e teriam sido usados para disfarçar o pagamento de propina ao então deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ), que era investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.
Na decisão, o magistrado considerou que não havia “justa causa” para manter Samuel Ferreira como parte do processo. Segundo Ruliere, a ausência de indícios sólidos justificava o arquivamento sumário da apuração. O entendimento segue o posicionamento anterior do próprio TRE-RJ, que já havia concedido o habeas corpus ao bispo.
“Acertadamente e com a expressa concordância do Ministério Público, o TRE-RJ determinou o trancamento do inquérito policial, reconhecendo o excesso, a falta de justa causa e assim determinando seu arquivamento sumário”, afirmou o advogado de Ferreira, Daniel Bialski.
Já em relação aos demais envolvidos, o juiz determinou o envio dos autos ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde caberá à Corte decidir se Eduardo Cunha continuará como réu no caso, assim como Júlio Camargo — apontado como operador financeiro — e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.
A reportagem do g1 procurou os demais citados, mas até o momento da publicação não obteve resposta.






