Tortura com choque e afogamento: a noite de terror vivida por ex de Verônica Costa

Considerada foragida, ex-vereadora teve mandado expedido pela 16ª Vara Criminal do Rio após STF esgotar recursos de condenação definitiva

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Amarrado na cama, acorrentado pelos punhos e pescoço, vendado e amordaçado. Foi sob esse cenário de violência extrema na suíte do próprio casal, em Vargem Grande, que Márcio Costa permaneceu por cerca de 20 horas sendo submetido a uma sessão de tortura pela qual a empresária e ex-vereadora Verônica Costa foi condenada em definitivo nesta semana. Os agentes não encontraram a ex-parlamentar em seu apartamento no Recreio dos Bandeirantes é ela é considerada foragida.

De acordo com os autos do processo e a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a vítima sofreu sucessivas agressões físicas e psicológicas motivadas por cobranças ostensivas sobre supostos desvios de verbas eleitorais de campanhas da política.

Afogamento, gasolina no corpo e choques

Marcio fora levado à suíte e submetido a episódios de asfixia mecânica e afogamento no vaso sanitário e na banheira. Os agressores aplicaram spray inseticida diretamente no rosto e nos olhos e derramaram gasolina e desinfetante por todo o seu corpo.

Sob constantes ameaças de choques elétricos, Márcio foi intimidado repetidamente com fósforos acesos próximos à sua pele embebida em combustível. O pesadelo só terminou no final da tarde do dia seguinte, quando o inchaço provocado pelas amarras permitiu que a vítima soltasse parcialmente as mãos e fugisse pela varanda do imóvel vizinho.

Socorrido por moradores locais, Márcio permaneceu internado por 10 dias em duas unidades de saúde, com passagem pelo CTI. Laudos do Instituto Médico-Legal (IML) atestaram marcas circulares de correntes no pescoço e punhos, além de queimaduras de 1º e 2º graus na face, tronco e área genital.

Prisão definitiva

Quinze anos após o crime, a juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, expediu o mandado de prisão definitiva contra Verônica Costa para o cumprimento da pena de 10 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado. A decisão ocorreu imediatamente após a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar os últimos recursos e decretar o trânsito em julgado do processo.

Como não foi localizada pelos agentes em seus endereços cadastrados, a ex-parlamentar passou a ser oficialmente considerada foragida da Justiça.

A ordem de prisão abrange também os quatro corréus do processo condenados a dez anos de reclusão pelo envolvimento direto na sessão de tortura: os irmãos de Verônica, Bruno Chaves Ribeiro e Tatiane Chaves Ribeiro, o cunhado Bruno Marcelo Bahia Marques e o padrasto Sebastião de Oliveira Evangelista.

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