Tombamento do antigo Dops é aprovado e prédio vira centro de memória no Rio

Iphan confirma proteção federal definitiva ao edifício símbolo da repressão e prevê espaço dedicado à história e aos direitos humanos

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou nesta quarta-feira (26) o tombamento definitivo do edifício da antiga Repartição Central de Polícia, conhecido como antigo Dops, na Rua da Relação, no Centro do Rio. A informação foi confirmada durante reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância máxima de deliberação do órgão.

O prédio, um dos mais emblemáticos símbolos da repressão política no Estado do Rio durante a ditadura militar, será transformado em um centro de memória.

A decisão reconhece a importância histórica e artística do imóvel, que passa a integrar oficialmente os Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes. Em outubro, o Iphan já havia publicado o tombamento provisório. Segundo o presidente do instituto, Leandro Grass, a medida assegura a preservação de um espaço marcado por censura, repressão e violações de direitos humanos.
“Este ato homenageia aqueles que foram torturados, perseguidos, mortos ou desaparecidos por lutarem pela liberdade. Ao torná-lo patrimônio, contribuímos para que as gerações presentes e futuras não repitam os erros desse período”, disse Gras ao Globo.

Memória da ditadura
Inaugurado em 1910, o edifício tem estilo eclético e foi projetado pelo arquiteto Heitor de Mello durante as reformas urbanas promovidas pelo prefeito Pereira Passos. Ao longo do século XX, sediou diversos órgãos policiais responsáveis por reprimir movimentos considerados ameaças à ordem pública. Entre eles, o Departamento de Ordem Política e Social do Rio de Janeiro (Dops-RJ), que operou no local entre 1962 e 1975.

O prédio acumulou registros de prisões, interrogatórios e torturas, tornando-se um marco da repressão no período militar. Parte de seu acervo, como documentos de presos políticos e materiais religiosos apreendidos — entre eles peças do conjunto conhecido como Nosso Sagrado — foi transferida em 2020 para o Museu da República. O local também integra lista de 49 pontos identificados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania onde ocorreram violações graves, ao lado de outros Dops do país e do Doi-Codi de São Paulo.

Valor arquitetônico
Além do peso histórico, o imóvel se destaca pela imponência. Com três pavimentos, pátio interno e fachadas simétricas, ostenta molduras decoradas, vitrais, balaustradas e uma cúpula de esquina que o caracterizam como exemplar de arquitetura eclética.

Preservação e futuro
Segundo o Iphan, o tombamento reforça a função social das políticas de preservação e abre caminho para a implantação do futuro centro de memória. Para a superintendente do instituto no Rio, Patricia Wanzeller, a iniciativa formaliza a importância do edifício para o país.

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