Ministério da Cultura confirma tombamento definitivo do antigo Dops

Projetado por Heitor de Mello e inaugurado em 1910 como sede da polícia central da então capital federal, o edifício carrega marcas históricas do período da ditadura militar

O Ministério da Cultura homologou, nesta segunda-feira (29), o tombamento definitivo do antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Centro do Rio. A medida dá continuidade ao processo iniciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), que havia aprovado o tombamento há um mês.

Projetado por Heitor de Mello e inaugurado em 1910 como sede da polícia central da então capital federal, o edifício carrega marcas históricas do período da ditadura militar. Entre 1962 e 1975, o local abrigou o Dops, órgão associado a prisões arbitrárias, tortura, perseguição política e violações de direitos humanos.

Ao comentar a decisão, o presidente do Iphan, Leandro Grass, afirmou que o tombamento simboliza um compromisso com a memória e a democracia.
“Este ato homenageia aqueles que foram torturados, perseguidos, mortos ou desaparecidos por lutarem pela liberdade. Ao torná-lo patrimônio, contribuímos para que as gerações presentes e futuras não repitam os erros desse período”, declarou.

O prédio também foi local de guarda do Acervo Nosso Sagrado, composto por objetos de religiões de matriz africana apreendidos pela polícia entre 1890 e 1946. Tombada pelo Iphan, a coleção é considerada referência na memória da repressão religiosa no país.

Apesar de sua relevância histórica e arquitetônica, o imóvel está abandonado há cerca de 15 anos. Desocupado em 2011 por risco de desabamento após danos estruturais provocados por uma obra vizinha, o edifício de três pavimentos e pátio interno é um dos principais exemplares da arquitetura eclética de influência francesa que marcou a modernização do Rio no início do século 20.

Com o tombamento, o Iphan passa a assegurar a preservação das características originais do imóvel e impedir qualquer alteração sem autorização prévia. O Ministério Público Federal e o Movimento Tortura Nunca Mais defendem que o prédio seja convertido em um centro de memória e direitos humanos. A Secretaria de Patrimônio da União acompanhou a vistoria conduzida pelo Ministério da Cultura e participa dos estudos para definir o futuro uso do espaço.

Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Civil, há colaboração na preservação do acervo remanescente. O processo de destinação do imóvel será conduzido pelo Ministério da Cultura, com participação de demais órgãos federais envolvidos.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading