A Seleção Brasileira chegou desacreditada para a Copa de 2026. A campanha nas eliminatórias foi um vexatório quinto lugar, atrás de Argentina, Equador, Colômbia e Uruguai. O decepcionante empate na estreia contra Marrocos parecia seguir um roteiro bem conhecido dos brasileiros nas últimas edições da competição. Nem a goleada de 3 a 0 contra o Haiti parecia entusiasmar. O Brasil, que manteve o status de país do futebol por décadas, parecia fadado a assumir o desconfortável papel de coadjuvante.
Até a torcida passava a impressão de ter perdido aquela capacidade de indignação, tocada por uma certa apatia e até por uma desconexão com a equipe que representa o único país pentacampeão mundial. A imagem de um Neymar já veterano e sem perspectivas de atuar em alto nível simbolizava um momento de poucas perspectivas de uma espécie de “azarão de luxo” da Copa, abalado pelos fracassos recentes e, aparentemente, sem perspectivas de promover uma reviravolta na sua própria trajetória mediana. Apenas migalhas para um país que se acostumou a ver o mundo se curvar diante de seus craques.
Então veio o confronto contra a Escócia. E, enfim, uma atuação à altura da Seleção Brasileira, com outra vitória por 3 a 0. Em apenas 90 minutos, uma equipe de futebol foi capaz de promover uma verdadeira revolução no estado de ânimo de todo um país. E trouxe novamente aquela pontinha de esperança, que vem como se fosse uma pergunta atravessada na garganta do imaginário coletivo: será que dá para acreditar?
Para isso, precisaríamos ter um jogador capaz de desequilibrar as partidas e personificar a retomada do bom futebol. Foi assim em todas as nossas conquistas em Copas. Vini Jr assumiu esse papel. Com gols marcados em todos os jogos da primeira fase, o atacante tem evoluído e chamado para si a responsabilidade com dribles, arrancadas em velocidade e muito oportunismo.
Mas a convincente partida contra a Escócia representou bem mais do que isso. Foi possível observar uma equipe em evolução, concatenada e lógica. Bruno Guimarães distribuiu o jogo com autoridade, ditando o ritmo do time. O disciplinado Matheus Cunha acrescentou intensidade, volume de jogo e gols. Já tem três, apenas um a menos do que Vini Jr. Com a lesão de Raphinha, o jovem Rayan soube aproveitar a oportunidade. Veloz, intenso e ousado, surpreendeu aqueles que pensavam que ele poderia sentir o peso da camisa em uma Copa do Mundo por ter apenas 19 anos.
Méritos para Carlo Ancelotti, que queimou a minha língua. Em minha última crônica escrita para a Agenda do Poder, me referi a ele como o mais consagrado dos treinadores à frente da Seleção Brasileira na história das Copas, citando a sua trajetória por clubes de ponta do futebol mundial, como Real Madrid, Chelsea, PSG e Milan.
Mas também o ironizei por não escalar Endrick, que correspondeu e mostrou estrela quando entrou, sob a justificativa de que o atacante não cumpriria tantas funções táticas. E fiz uma provocação, dizendo que até Romário seria reserva na equipe do italiano, se o critério para escalar um centroavante fosse a capacidade para pressionar a saída de bola dos zagueiros adversários.
Com pouco mais de 30 dias de treinamentos, o trabalho do italiano começa a mostrar resultado e a renovar uma esperança que parecia adormecida na torcida brasileira.
Tom de despedida de Neymar
A entrada de Neymar aos 35 minutos do segundo tempo do jogo contra a Escócia teve um tom de despedida e de homenagem ao camisa 10.

Embora esteja visivelmente abaixo do nível técnico e físico do restante da equipe, o atacante foi o principal jogador da Seleção Brasileira por mais de uma década. Com 79 gols, Neymar se tornou o maior artilheiro da Canarinho em setembro de 2023 ao superar Pelé em jogos oficiais contra seleções, critério utilizado internacionalmente pela Fifa.
Embora não possa dar uma contribuição à altura do seu talento, é inegável a sua influência para o grupo. Para os mais jovens, é como jogar ao lado de um ídolo de infância. Mas não é só isso. A sua presença também foi uma forma de despressurizar a cobrança sobre os principais jogadores da equipe, já que todos os olhares estavam voltados para a recuperação de Neymar.
Para a torcida, a sua entrada também representou um momento eternizado na história das Copas, já que parece improvável que ele volte a vestir a camisa da Seleção Brasileira na fase eliminatória da competição.

Japão: como joga o adversário do Brasil
Com o empate em 1 a 1 contra a Suécia na noite desta quinta-feira (25) no AT&T Stadium, em Arlington (EUA), o Japão se classificou em segundo lugar do Grupo F e enfrentará a Seleção Brasileira na próxima fase da competição. O jogo está marcado para a próxima segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em Houston.
Apontada como uma das melhores gerações da sua história, a seleção japonesa adota um estilo de jogo de muita velocidade e toque de bola para finalizar as jogadas. A equie atua no esquema 3-4-2-1, com alas ofensivos, intensidade na marcação e transições rápidas. Sem a bola, costuma formar uma linha de cinco defensores. Com ela, acelera a troca de passes e explora a velocidade pelos lados do campo.
Destaque para Keito Nakamura. Ponta de origem, ele atua como ala-esquerdo no esquema do treinador Hajime Moriyasu e costuma aparecer como elemento-surpresa nas jogadas de ataque. Também é importante ficar de olho no centroavante Ayase Ueda, que já marcou dois gols na Copa.
Além deles, ainda se destacam na equipe os meias Takefusa Kubo, Daichi Kamada e Ritsu Doan, responsáveis pela criação das jogadas. O capitão Wataru Endo completa o setor, dando sustentação à equipe.


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