A taxa de desemprego no Brasil permaneceu praticamente estável no trimestre encerrado em maio de 2026 e atingiu o menor patamar já registrado para o período desde o início da série histórica da atual metodologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que a taxa de desocupação ficou em 5,6%, ligeiramente abaixo dos 5,8% registrados no trimestre anterior, encerrado em fevereiro. Estatisticamente, o instituto considera o resultado estável.
Segundo a pesquisa, cerca de 6,1 milhões de brasileiros estavam à procura de trabalho no período.
Para o IBGE, o desempenho reforça o cenário de aquecimento do mercado de trabalho, mesmo diante da estabilidade observada entre um trimestre e outro.
“A estabilidade na variação é sazonal, pois é o período em que os setores começam a olhar para o segundo semestre, mas atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, explica o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill.
Desalento recua e menos pessoas desistem de procurar emprego
Além da estabilidade da taxa de desemprego, outro indicador apresentou melhora no trimestre: o desalento.
O contingente de pessoas que desistiram de procurar trabalho por acreditarem que não conseguiriam uma vaga caiu para 2,4 milhões.
Na comparação com o trimestre anterior, houve redução de 10,2%, o equivalente a 277 mil pessoas que deixaram essa condição.
O indicador é acompanhado pelo IBGE por representar um grupo de trabalhadores que, embora desejem trabalhar, acabam abandonando temporariamente a busca por uma ocupação diante das dificuldades encontradas.
Informalidade continua em queda
O levantamento também aponta uma redução da informalidade no mercado de trabalho.
A taxa caiu de 37,5% para 37,3% da população ocupada entre um trimestre e outro.
No setor privado, o número de empregados com carteira assinada permaneceu estável em 39,3 milhões de trabalhadores, desconsiderando os empregados domésticos.
Já o contingente de trabalhadores sem carteira assinada também apresentou estabilidade, totalizando 13,4 milhões de pessoas.
Entre os trabalhadores por conta própria, o número permaneceu em aproximadamente 26 milhões, sem variações significativas em relação ao levantamento anterior.
Setores ampliam geração de empregos
Embora a maior parte dos segmentos econômicos tenha permanecido estável, dois grupamentos registraram crescimento no número de trabalhadores ocupados.
O setor de transporte, armazenagem e correio ampliou seu contingente em 3%, com a criação de aproximadamente 177 mil ocupações.
Já a área formada por administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais apresentou expansão de 3,1%, o equivalente a mais 591 mil pessoas empregadas.
Segundo o IBGE, os demais setores não registraram variações estatisticamente significativas no período.
Subutilização também diminui
Outro indicador que apresentou melhora foi a taxa de subutilização da força de trabalho.
O índice recuou de 14,1% para 13,3%, refletindo uma redução do número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ou que possuem potencial para ampliar sua participação no mercado.
Entre os chamados subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, a queda foi de 5,7% no trimestre.
Mesmo com a redução de aproximadamente 251 mil pessoas nessa situação, o país ainda contabiliza cerca de 4,1 milhões de trabalhadores nessa condição.
Rendimento permanece estável
Os rendimentos dos trabalhadores brasileiros permaneceram praticamente inalterados.
Segundo o IBGE, o rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.726 no trimestre encerrado em maio.
A massa de rendimento real habitual, que representa a soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, também apresentou estabilidade, atingindo R$ 377,7 bilhões.






Deixe um comentário