O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), afirmou ser favorável a ações militares dos Estados Unidos para impedir que carregamentos de drogas e armas destinados ao Brasil cheguem ao território nacional. Pré-candidato ao Governo do Estado, o parlamentar declarou que apoia bombardeios contra traficantes em alto-mar, antes que o material seja distribuído para organizações criminosas que atuam no país.
As declarações foram dadas em entrevista à BBC News, divulgada nesta sexta-feira (26), em meio ao debate provocado pela decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Na avaliação de especialistas, essa classificação pode abrir espaço para uma atuação mais ampla dos EUA no combate às facções, com risco de intervenção na autodeterminação dos países.
Ao ser questionado sobre o tema, Ruas defendeu uma atuação preventiva voltada à interceptação de carregamentos ilícitos ainda fora do território brasileiro.
Apoio a ações em alto-mar
Durante a entrevista, o deputado estadual afirmou que considera legítima uma cooperação internacional para impedir que armas e drogas cheguem às cidades brasileiras.
“Defendo medidas efetivas para impedir que essas armas e essas drogas cheguem ao nosso território. E, se for necessário bombardear esses traficantes de drogas, traficantes de armas no mar aberto, antes dessas armas chegarem aqui no nosso território, nas nossas cidades, têm o meu total apoio”, afirmou o pré-candidato.
Ruas justificou seu posicionamento citando apreensões de armamentos fabricados no exterior realizadas no Rio de Janeiro e o fato de drogas comercializadas no estado, como a cocaína, serem produzidas em outros países.
Segundo ele, a cooperação internacional já faz parte das estratégias de enfrentamento ao crime organizado e deveria ser fortalecida.
Classificação de facções como terroristas
O presidente da Alerj voltou a defender que as principais organizações criminosas brasileiras passem a ser formalmente classificadas como grupos terroristas.
Na avaliação do parlamentar, as ações promovidas por essas facções justificariam esse enquadramento.
“Eu tenho defendido que nós possamos classificar as facções criminosas como terrorista, porque o que eles praticam é impor o terror à população de bem do nosso Estado. As pessoas estão com as suas liberdades cerceadas por essas pessoas”, completou.
Na mesma manifestação, Ruas criticou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema.
“Lamentavelmente, o atual presidente entende que eles não são terroristas e ainda os chamou de ‘nossos criminosos’. Nós não temos compromisso com criminosos”.
As declarações ocorrem após o governo dos Estados Unidos incluir o Comando Vermelho e o PCC na lista de organizações terroristas, decisão que ampliou o debate sobre mecanismos internacionais de combate ao crime organizado e causou apreensão sobre uma possível intervenção política dos EUA no Brasil.
Declaração segue posicionamento de Flávio Bolsonaro
O posicionamento de Douglas Ruas ocorre em um contexto semelhante ao defendido anteriormente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No ano passado, após os Estados Unidos anunciarem um ataque contra uma embarcação suspeita de transportar drogas no Oceano Pacífico, o senador sugeriu, por meio das redes sociais, que ações semelhantes fossem adotadas na Baía de Guanabara contra organizações criminosas.
Domínio territorial é principal desafio, diz parlamentar
Durante a entrevista, Douglas Ruas também abordou a situação da segurança pública no Rio de Janeiro.
Segundo ele, o maior desafio enfrentado pelo estado é o domínio territorial exercido por organizações criminosas em diversas comunidades.
O parlamentar citou como exemplo a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro do ano passado, que terminou com 122 mortes e foi criticada por diversas entidades de direitos humanos. Ruas destacou, entretanto, que operações desse porte precisam ser acompanhadas pela presença permanente do poder público.
“O que aconteceu no Complexo da Penha e do Alemão é uma legítima ação do Estado”, disse Ruas.
Na avaliação do presidente da Alerj, a continuidade da atuação estatal é essencial para impedir que as facções retomem o controle das áreas ocupadas.
“Se não tiver uma continuidade da presença do Estado, (a ação) não nos dá uma efetividade duradoura”.
O deputado também atribuiu parte do fortalecimento das organizações criminosas às restrições impostas às operações policiais pela chamada ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu parâmetros para ações de segurança em comunidades do Rio de Janeiro, visando evitar a violência policial contra moradores.
Segundo Ruas, o estado teria se transformado em um “resort para criminosos” em razão dessas limitações.





Deixe um comentário