Carlo Ancelotti é o mais consagrado dos treinadores à frente da Seleção Brasileira na história das Copas. O italiano acumula passagens vitoriosas pelos principais clubes do mundo, como Real Madrid, Chelsea, PSG e Milan. Ele também já comandou algumas das principais estrelas do futebol mundial. É o caso do português Cristiano Ronaldo, do francês Zinedine Zidane e até de Ronaldo Fenômeno. Um currículo que garante credenciais para que possa bancar suas decisões com a segurança de quem já provou a sua capacidade.

E é justamente escorado nessa ideia que o italiano conduz uma equipe em contraste com a história de Ancelotti e da própria Seleção Brasileira. O Brasil, que se acostumou a figurar entre os favoritos nos mundiais, figura na estranha condição de um dos azarões. Com bem menos brilho do que França, Espanha, Argentina e Alemanha, o time parece estar em busca de referências para fazer com que o torcedor acredite no ainda utópico hexa.

Vini Jr foi destaque da vitória contra o Haiti na primeira fase da Copa do Mundo / Crédito: CBF

Principal destaque na vitória de 3 a 0 contra o Haiti, Vini Jr afastou provisoriamente a desconfiança da torcida. Embora ainda esteja longe de repetir as suas atuações à frente do Real Madrid, o atacante é uma exceção em uma equipe previsível, mediana e de pouco brilho. Uma sombra opaca do que já foi a Seleção Brasileira em edições anteriores da Copa. E o que faz Ancelotti para tentar desafiar essa lógica?

Ele reforça justamente a ideia da busca por uma equipe óbvia e pragmática, alinhada com a escola italiana. O sopro de esperança tem sido Endrick. Sempre que tem entrado nos jogos, tem tido boas atuações, demonstrando um talento muito acima em comparação aos outros jogadores de ataque do Brasil. Mas, ainda assim, Endrick espera pela sua vez.

Nos bastidores entre os setoristas da Seleção Brasileira, o comentário é de que a comissão técnica entende que falta disciplina tática no momento de exercer pressão na defesa adversária.

Se é verdade que Ancelotti nunca abre mão desse princípio, a imagem de Romário como o herói do tetra talvez nunca tivesse existido se o italiano fosse o treinador da Seleção Brasileira em 1994.

Ancelotti ainda busca encontrar a melhor formação para o Brasil na Copa / Crédito: CBF

Os deuses do futebol têm tentado ajudar

A obsessão pela tática é a afirmação de um treinador que cavou o seu espaço entre os principais profissionais do mundo justamente por priorizar esquemas mais elaborados. Mas também é o que tem conduzido o italiano a uma rota de colisão justamente com a identidade do futebol brasileiro.

Nessa identidade, está o improviso que desmonta sistemas defensivos de Pelé. A irreverência na ginga de Garrincha. A genialidade na pequena área de Romário. O singular oportunismo de Ronaldo. E a mágica de Ronaldinho Gaúcho.

Se eu acreditasse que os deuses do futebol existem, diria que eles têm tentado dar uma mãozinha ao italiano.

Em fase irregular, Raphinha sofreu lesão. O enredo perfeito para conduzir Endrick ao time titular, certo?

Errado.

No treino desta segunda-feira (23), Ancelotti testou Luiz Henrique e Rayan na função. Nem vestígio de uma possível escalação de Endrick, o companheiro perfeito para Vini Jr se a ideia fosse bagunçar defesas adversárias e priorizar o nosso improviso, deixando a tática em segundo plano.

Ancelotti não entendeu o futebol brasileiro. Mas ainda há tempo para sonhar.

Pelé ou Messi? A impossível comparação entre os reis do futebol

Com os dois gols da vitória da Argentina contra a Áustria nesta segunda-feira (22), Messi quebrou mais um recorde e se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 18 anotações. E o feito serviu como gancho para voltar a incendiar um debate que parece interminável. Quem foi melhor? Pelé ou Messi?

Uma discussão, aliás, que soava como profanação. Mas que passou a ganhar força nos últimos anos.

Ainda assim, os fãs mais ardorosos de Pelé se revoltam só com a possibilidade levantada de debate.

Alegam que o brasileiro é o único tricampeão mundial da história e que revolucionou o futebol. Foi campeão mundial em 1958, quando tinha apenas 17 anos. Com 1.281 gols ao longo da carreira, fez jogadas memoráveis, até hoje eternizadas em lances reprisados em emissoras de TV.

No seu auge, aliava força física, técnica, velocidade e visão de jogo. Chutava com as duas pernas e ainda era um exímio cabeceador. Fazia o jogo parecer mágico quando a bola chegava nos seus pés. Um jogador completo. Pelé virou sinônimo de perfeição. Um deus do futebol. Soberano, rei e absoluto.

Mas Messi surgiu como uma espécie de novo deus. Com maestria tática e genialidade do futebol moderno, reina soberano no futebol mundial atual. Como vantagem, joga em uma época em que os espaços são mais reduzidos, já que a condição atlética dos jogadores profissionais é muito superior em comparação ao período em que Pelé jogou.

Apesar dos argumentos em favor de Pelé ou de Messi, diria que é impossível fazer a comparação. Pelé reinou no período em que jogou. E Messi reina nos tempos atuais. A genialidade de um não pode ofuscar a genialidade do outro. No futebol, é possível ter dois sóis, com a bola de futebol girando ao redor deles.

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