A Justiça do Rio converteu em preventiva a prisão de Diogo dos Santos Serpa, de 42 anos, acusado de se passar por médico e atender pacientes sem formação ou habilitação profissional. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada neste sábado (8).
Diogo havia sido preso em flagrante na quinta-feira (6), enquanto fazia atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos com um tumor cerebral de crescimento rápido, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Ao decidir pela manutenção da prisão, a juíza Andressa Maria Ramos Raimundo considerou que a liberdade do suspeito representaria risco à vida de outras pessoas. A magistrada também destacou os indícios de que a atuação não teria sido um episódio isolado.
“A utilização reiterada de identidade e documentos médicos alheios, associada à realização de atendimentos e prescrição de medicamentos sem habilitação profissional, revela maior censurabilidade da conduta e demonstra que a liberdade do agente representa risco direto à vida alheia”, afirmou.
Atendimentos desde 2025
Segundo a Polícia Civil, Diogo teria começado a frequentar a residência da criança em outubro de 2025, apresentando-se como o médico responsável pelo serviço de home care. A investigação aponta que ele realizou pelo menos seis atendimentos, nos quais prescreveu medicamentos, solicitou exames e fez encaminhamentos.
No momento da prisão, policiais da 63ª DP (Japeri) encontraram com o suspeito crachá e receituário em nome de um profissional de saúde. Também foram apreendidos carimbos e documentos relacionados a um segundo médico.
Para a juíza, há elementos que apontam “habitualidade na prática delitiva”. A magistrada afirmou que a prisão é necessária para impedir a continuidade das supostas irregularidades e proteger outros pacientes.
Mãe desconfiou do CRM
A fraude começou a ser descoberta depois que a mãe da criança desconfiou das prescrições e consultou o cadastro do Conselho Regional de Medicina. Ela percebeu que a fotografia associada ao CRM apresentado não parecia corresponder ao homem que atendia sua filha e procurou a polícia.
Agentes foram até a residência durante um atendimento. Segundo a investigação, quando os policiais chamaram pelo nome do médico verdadeiro que aparecia nos documentos, Diogo respondeu e acabou preso.
Ele foi autuado por exercício ilegal da medicina, uso de documento falso, falsa identidade, estelionato e por expor a vida ou a saúde de outra pessoa a perigo.
A Polícia Civil apura agora se documentos falsos também teriam sido apresentados à empresa de home care responsável pela contratação. Os investigadores pretendem ainda consultar instituições de ensino para verificar a informação atribuída ao suspeito de que seria estudante de Medicina.
Segundo a polícia, Diogo já havia sido investigado anteriormente por falsidade ideológica, peculato e furto de medicamentos. O caso tramita sob o número 0830458-37.2026.8.19.0038.

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