Tensão causada por Trump impulsiona alta histórica do ouro nos mercados globais

Incertezas políticas nos EUA e crises internacionais levam metal a superar US$ 5.000

O preço do ouro atingiu um patamar histórico e ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5.000 por onça troy, impulsionado por uma combinação de incertezas políticas, tensões geopolíticas e sinais de fragilidade na economia americana. O movimento reforça o papel do metal como principal ativo de proteção em momentos de instabilidade nos mercados globais.

Segundo a CNN Brasil, o ouro acumulou valorização de 15% apenas nos primeiros 26 dias de 2026, dando sequência a um desempenho excepcional no ano anterior. Em 2025, o metal registrou alta de 65%, o maior ganho anual desde 1979, consolidando um ciclo de forte demanda por ativos considerados seguros.

A escalada recente dos preços ocorre em um ambiente marcado por decisões e declarações controversas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As ações do republicano têm provocado abalos nas relações diplomáticas com aliados tradicionais, como países europeus e o Canadá, além de aumentarem a percepção de risco entre investidores.

No domingo (25), o ouro avançou 1,4% e alcançou US$ 5.058 por onça, às 20h14 no horário de Nova York. A prata, outro metal visto como refúgio em tempos de turbulência, subiu 4,5% e foi negociada a US$ 107,8 a onça, após ter acumulado alta de 141% ao longo de 2025 — também o melhor desempenho desde o fim da década de 1970.

Fatores políticos e econômicos no radar

A alta histórica do ouro em 2026 está associada a uma sucessão de episódios que ampliaram a incerteza global. Entre eles estão ameaças de tarifas contra aliados da Otan, a retórica sobre a anexação da Groenlândia, operações militares controversas no exterior e ataques institucionais dentro dos próprios Estados Unidos.

No campo econômico, a valorização do metal também reflete um dólar mais fraco, inflação acima do esperado e a expectativa de que o Federal Reserve promova novos cortes nas taxas de juros ao longo do ano. Esse cenário tende a favorecer ativos que preservam valor no longo prazo, como o ouro.

Analistas de mercado avaliam que, apesar do patamar elevado, ainda há espaço para novas altas. Em relatório recente, o Goldman Sachs revisou suas projeções e passou a estimar o ouro a US$ 5.400 por onça, citando a “persistente incerteza política global” como principal motor da demanda.

Outras instituições são ainda mais otimistas. O diretor de investimentos do Bank of America, Michael Hartnett, afirmou que os preços do ouro podem ultrapassar US$ 6.000 em um eventual pico, caso a instabilidade geopolítica e institucional continue pressionando os mercados.

Fuga para ativos de proteção

Menos de um mês após o início de 2026, mudanças bruscas na política externa e interna dos Estados Unidos têm alimentado a volatilidade nos mercados financeiros. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas, ameaças ao Irã e a retomada do discurso protecionista elevaram a aversão ao risco.

Mesmo recuos pontuais da Casa Branca não foram suficientes para acalmar os investidores. No fim de semana, Trump voltou a ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses, caso o país avançasse em acordos comerciais com a China, reforçando a percepção de imprevisibilidade.

No cenário doméstico, ataques ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a abertura de uma investigação criminal contra o dirigente ampliaram as dúvidas sobre a independência do banco central americano. Em conjunto, esses fatores intensificaram a migração de recursos para metais preciosos, consolidando o ouro como o principal termômetro do medo nos mercados globais.

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