O ouro atingiu um novo recorde histórico nesta quarta-feira ao ultrapassar a marca de US$ 5,3 mil por onça, em um movimento impulsionado pela queda do dólar e pela busca global por ativos considerados mais seguros. O metal chegou a subir até 2% no pregão, após já ter avançado 3,4% no dia anterior, a maior alta diária desde abril.
A escalada ganhou força depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente não estar preocupado com a desvalorização da moeda estadunidense, que atingiu o menor nível em quase quatro anos. O enfraquecimento do dólar tende a favorecer o ouro, ao tornar o metal mais barato para investidores de outros países.
Com o movimento recente, o ouro acumula valorização de cerca de 22% no ano e, pela primeira vez, rompeu o patamar de US$ 5 mil por onça nesta semana. No mesmo período, a prata apresentou uma disparada ainda mais intensa, com alta próxima de 60%.
Dólar em queda e incertezas globais
A combinação entre a desvalorização do dólar e o aumento das tensões no cenário internacional levou investidores a buscar proteção não apenas no ouro, mas também em outros metais preciosos. Um forte movimento de venda de títulos no Japão elevou preocupações sobre o elevado nível de gastos públicos do país, ao mesmo tempo em que crescem expectativas de uma possível intervenção dos Estados Unidos para sustentar o iene.
Na terça-feira, um índice que mede o desempenho do dólar recuou 1,1%, a maior queda diária desde abril. Esse movimento reforçou a atratividade do ouro como reserva de valor em um ambiente de incerteza cambial e econômica.
Fala de Trump e impacto nos mercados
As declarações do presidente dos EUA ajudaram a intensificar a volatilidade. Questionado por repórteres em Iowa, Trump minimizou a perda de valor da moeda dos Estados Unidos.
“Não, eu acho que está ótimo”, afirmou, ao comentar se estava preocupado com o desempenho do dólar. Segundo ele, flutuações cambiais são esperadas.
Além disso, decisões e declarações do governo Trump têm contribuído para a instabilidade dos mercados nas últimas semanas. Entre elas estão ameaças de anexação da Groenlândia, menções à possibilidade de intervenção militar na Venezuela e novos ataques à independência do Federal Reserve. O presidente também prometeu elevar tarifas sobre produtos da Coreia do Sul e impor tarifas de 100% ao Canadá caso Ottawa avance em um acordo comercial com a China.
Expectativa de Fed mais brando
No mercado de títulos, operadores passaram a aumentar apostas em uma política monetária mais flexível nos Estados Unidos. A expectativa é de que Rick Rieder, diretor de investimentos da BlackRock, possa suceder Jerome Powell na presidência do Federal Reserve. Conhecido por defender uma postura mais agressiva na redução dos custos de empréstimos, Rieder é visto como um nome que poderia favorecer um ambiente de juros mais baixos.
Taxas de juros reduzidas tendem a beneficiar o ouro e outros metais preciosos, que não oferecem rendimento. Esse cenário reforça o apetite dos investidores por proteção.
“As expectativas de um Fed mais brando e menos independente, assim como os riscos geopolíticos, provavelmente estão impulsionando alocações mais rápidas em ouro, lideradas por investidores de varejo”, afirmou Suki Cooper, chefe global de pesquisa em commodities do Standard Chartered, em nota. “Salvo correções de curto prazo, continuamos vendo risco adicional de alta.”
Compras de bancos centrais e efeito cripto
Outro fator relevante para a valorização do ouro tem sido o aumento das compras por bancos centrais ao redor do mundo, além do crescimento dos investimentos em fundos negociados em bolsa atrelados ao metal. Em meio à incerteza, poucos investidores apostam em uma reversão de curto prazo, e o mercado já trabalha com a possibilidade de novas máximas.
A volatilidade implícita dos contratos futuros de ouro negociados na Comex atingiu o maior nível desde o auge da pandemia de Covid-19, em março de 2020.
Até empresas do setor de criptomoedas passaram a reforçar posições no metal. A Tether, emissora da stablecoin mais utilizada no mundo, tornou-se a maior detentora privada de ouro fora de bancos e governos, com cerca de 140 toneladas do metal. Segundo o CEO Paolo Ardoino, em entrevista à Bloomberg News, a maior parte desse volume é mantida como reserva própria da empresa.
Prata também dispara e acende alertas
A prata acompanhou o rali do ouro e chegou a subir até 3,6%, aproximando-se de um recorde acima de US$ 117 por onça, alcançado na segunda-feira. Diante da forte volatilidade, o CME anunciou que elevará as margens dos contratos futuros de prata da Comex a partir do fechamento desta quarta-feira.
Na China, o único fundo exclusivamente dedicado à prata suspendeu temporariamente as negociações. O UBS SDIC Silver Futures Fund também pausou novas subscrições após alertas repetidos de que o prêmio atual em relação aos contratos negociados na Bolsa de Futuros de Xangai é “insustentável”.






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