O Ibovespa iniciou esta sexta-feira em alta e caminha para encerrar a semana com um novo recorde histórico. Por volta das 10h25, o principal índice da bolsa brasileira subia 0,48%, aos 176.435 pontos, nível alcançado pela primeira vez. No mesmo horário, o dólar registrava leve valorização de 0,11%, cotado a R$ 5,2897.
Com uma agenda econômica doméstica mais esvaziada, o mercado financeiro voltou suas atenções para o cenário externo, especialmente para os dados econômicos dos Estados Unidos, o comportamento recente das bolsas globais e sinais de redução das tensões geopolíticas, que vêm influenciando o apetite por risco dos investidores.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMI). Em dezembro, o indicador composto, que reúne indústria e serviços, recuou de 54,2 para 52,7, ficando abaixo da leitura preliminar de 53. Também está prevista para hoje a divulgação do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.
Alívio geopolítico impulsiona mercados
Na véspera, as bolsas globais avançaram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartar o uso de força militar para anexar a Groenlândia e suspender tarifas que estavam previstas para oito países europeus. A mudança de tom reduziu momentaneamente a percepção de risco nos mercados internacionais.
Além disso, nesta sexta-feira, Estados Unidos, Ucrânia e Rússia iniciam a primeira rodada de negociações trilaterais sobre o conflito ucraniano, que se aproxima de quatro anos. O encontro ocorre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e está previsto para se estender até sábado.
As incertezas em torno dessas negociações continuam influenciando o mercado de commodities. O petróleo Brent sobe 1,7%, cotado a US$ 65,12 o barril. Já o ouro permanece em níveis elevados após atingir o recorde de US$ 4.967,03 e recuar para US$ 4.924 a onça-troy.
Desempenho recente do Ibovespa
No Brasil, o Ibovespa fechou a quinta-feira com alta de 2,20%, aos 175.589,35 pontos, no maior nível de encerramento da história. Apenas nesta semana, o índice acumulou valorização superior a 10 mil pontos.
Durante o pregão anterior, o indicador também renovou a máxima histórica intradiária ao alcançar 177.741,56 pontos. O desempenho foi sustentado por ações de grande peso no índice. A Petrobras avançou 0,69%, a Vale subiu 0,58% e o Itaú teve alta expressiva de 3,38%.
No acumulado, o Ibovespa registra alta de 6,55% na semana, 8,98% no mês e 8,98% no ano. Já o dólar acumula valorização de 1,65% na semana, mas queda de 3,73% tanto no mês quanto no ano.
Groenlândia e impacto diplomático
Trump afirmou na quinta-feira que obteve garantias de “acesso total e permanente” dos Estados Unidos à Groenlândia, a partir de um acordo ainda em negociação. A declaração veio após o recuo das ameaças tarifárias e da retórica militar, trazendo alívio aos mercados.
Apesar da reação positiva inicial, autoridades europeias avaliam que os danos à confiança política podem ser duradouros. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as relações com os Estados Unidos “sofreram um grande golpe” nos últimos dias.
A Dinamarca reforçou que a soberania sobre a Groenlândia não está em negociação. O primeiro-ministro do território, Jens-Frederik Nielsen, disse não ter informações claras sobre o conteúdo do entendimento.
“Não sei o que há no acordo, ou no acordo, sobre meu país”, afirmou. Ele acrescentou que o governo local está aberto ao diálogo, mas fez um alerta: “A soberania é uma linha vermelha”.
Trump evitou responder diretamente sobre o tema, mas deixou claro o interesse estratégico. “Temos que ter a capacidade de fazer exatamente o que queremos fazer”, disse a jornalistas. Em entrevista à Fox Business, afirmou que o acordo garantiria “acesso total” aos EUA e seria “muito mais generoso” para o país.
Fontes ouvidas pela Reuters indicam que Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram em iniciar novas negociações entre EUA, Dinamarca e Groenlândia para atualizar o acordo de 1951, que regula a presença militar dos EUA na ilha. A proposta incluiria restrições a investimentos chineses e russos na região.
Rutte afirmou que caberá agora aos comandantes da Otan definir as necessidades adicionais de segurança no Ártico. “Não tenho dúvidas de que podemos fazer isso rapidamente”, projetou, indicando avanços até o início de 2026.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reconheceu que o momento ainda é delicado, mas afirmou haver progresso ao direcionar o debate para a segurança regional, defendendo uma presença permanente da Otan no Ártico.
Bolsas globais em movimento misto
Em Wall Street, os mercados operavam sob pressão antes da abertura oficial, refletindo cautela diante das incertezas geopolíticas. Os contratos futuros indicavam queda de 0,22% para o Dow Jones, recuo de 0,14% no S&P 500 e baixa de 0,16% na Nasdaq.
Na Europa, as bolsas registravam perdas enquanto investidores avaliavam os desdobramentos do Fórum Econômico Mundial em Davos e as negociações internacionais. O STOXX 600 caía 0,43%, o DAX da Alemanha recuava 0,27%, o FTSE 100 do Reino Unido tinha leve baixa de 0,08%, o CAC 40 da França perdia 0,54% e o FTSE MIB da Itália caía 0,43%.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia com desempenho misto após uma semana marcada por maior rigor regulatório na China. Em Xangai, o SSEC subiu 0,33%, enquanto o CSI300 caiu 0,45%. O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,45%. O Nikkei, de Tóquio, subiu 0,4%; o KOSPI, de Seul, ganhou 0,76%; o TAIEX, de Taiwan, avançou 0,68%; e o Straits Times, de Cingapura, subiu 1,26%.






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