O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (7) que o governo brasileiro continuará negociando com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos nacionais. Segundo ele, o Brasil permanecerá na mesa de negociação até o prazo final estabelecido pelas autoridades americanas e novas reuniões técnicas devem ocorrer ainda nesta semana.
As declarações foram dadas em meio à investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que poderá resultar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho.
Governo aposta em diálogo técnico
De acordo com o ministro, a equipe técnica brasileira que está em Washington participou de uma nova rodada de conversas com representantes do USTR nesta terça-feira. Ele classificou o encontro como produtivo e afirmou que os debates foram divididos por temas específicos.
Entre os assuntos tratados, Márcio Elias Rosa destacou a proposta do governo brasileiro de ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional e ao crime organizado.
Segundo o ministro, houve reconhecimento de que existem pontos em que os dois países podem avançar conjuntamente.
Crítica à atuação de Flávio Bolsonaro
Questionado sobre a viagem do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), aos Estados Unidos, Márcio Elias Rosa afirmou que não há espaço para interesses políticos ou eleitorais nas negociações comerciais.
Segundo ele, a atuação do governo está voltada exclusivamente para a defesa da soberania nacional e dos interesses econômicos do Brasil.
O ministro também ressaltou que representantes de setores produtivos brasileiros que participam das audiências públicas nos Estados Unidos mantêm diálogo permanente com o governo federal e atuam em defesa das exportações brasileiras.
Etanol fica fora da negociação
Márcio Elias Rosa também descartou a possibilidade de incluir o mercado de etanol nas negociações sobre o tarifaço.
Ao comentar declarações de Flávio Bolsonaro sobre uma eventual abertura ao etanol americano, o ministro afirmou que o tema exige uma discussão mais ampla e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta sobretaxação no mercado norte-americano.
Segundo ele, uma eventual flexibilização para o etanol dos Estados Unidos poderia afetar principalmente os produtores da Região Nordeste, onde o setor possui grande relevância econômica.
Prazo termina em 15 de julho
A investigação comercial foi aberta pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O instrumento permite a adoção de medidas contra países considerados responsáveis por práticas comerciais prejudiciais aos interesses americanos.






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